quinta-feira, 25 de abril de 2013

Depois de muito titubear, vou tirar do forno esta crônica.
Resolvi publicá-la depois do último Grande Prêmio de 21 de abril de 2013, ou seja, vejam há quanto tempo quero contar esta história, escrita depois da corrida do Milhão de 2012, na Stock Car Brasil.


"Não precisa acreditar no que vou contar.
Mas vou.
Há muitos anos que convivi, de uma forma turbulenta, com aquilo que meu amigo Francisco chama de mediunidade.
Convivo, mas não sei lidar com isso.
Tento não dar bola e procuro deixar para lá toda cutucada que esse assunto e suas situações me provocar.

Por anos a fio tive um sonho recorrente: nele um senhor idoso me pedia, insistentemente, que conversasse com a Silvana, mulher do Rubinho, para convencê-lo a usar alguma coisa amarela no seu capacete, pois isso alteraria para melhor sua carreira. 
Isto começou mais ou menos em 1.998.
Não existia uma freqüência específica nesse sonho; podia sonhá-lo duas noites seguidas ou passar uma temporada sem sonhá-lo.
O problema desse sonho - muito estranho, não – era a insistência com a qual o senhor passava a noite inteira me falando. Era uma noite de sono perdida. Acordava exausto.

Nunca tive uma real oportunidade de me aproximar da Silvana até aquele dia 25 de maio de 2012.
Fomos para o autódromo de Indianápolis, Elisa, eu e meus compadres Ana e Roberto. 
Deu tudo errado naquele dia; pegamos um trânsito monumental, quando fomos entrar no estacionamento nos remeteram a uma central que ficava mais adiante, uns duzentos metros, vencidos em qualquer coisa como 15 minutos.
Nossos ingressos, que havíamos comprado no final de janeiro, teriam sido remetidos ao Brasil e sem eles não poderíamos entrar no autódromo. Para consertar isso - os ingressos só foram entregues em agosto - perdemos um bom tempo.
O dia seguiu e nossa programação atrasou. 
Chegamos ao HALL of FAME dentro do autódromo no final da tarde, a tempo de pegar a homenagem que foi feita ao Giafone.
De repente apareceu o Rubinho. 
Ele vinha conversando com uma pessoa e eu só olhei para ele, respeitando sua privacidade.
Pouco depois eu vejo uma moça falando inglês com alguém de nome Silvana.
Estavam bem atrás de mim.
Foi minha oportunidade.
Em poucas palavras comentei o que disse acima sobre os meus sonhos.
Ela sorriu, descrente.
Paciência, deve haver um monte de malucos, como eu, falando um monte de tolices para ela e minha narrativa deve ter sido mais uma.

Interessante foi o meu sonho naquela noite: o velhinho me agradeceu, disse que “tanto ele como eu havíamos cumprido a nossa missão”.
Confesso que foi demais para mim, mas tive uma boa noite de sono.
No dia seguinte, com cuidado, comentei isso tudo com minha mulher e meus compadres que me acompanhavam na viagem. Acho que a reação foi a mesma da Silvana, descontado o fato de todos saberem que eu efetivamente não sou nada normal.

Algum tempo depois comentei com mais duas pessoas da minha família e não toquei mais no assunto.
Hoje, depois da corrida do milhão, me senti meio besta.
Fiquei pensando, e ainda penso, se não teria sido melhor ter comentado isso tudo diretamente para o Rubinho e, mais ainda, se teria sido bom para ele, o que confesso, até eu duvido.
Seja lá como for, essa foi uma passagem bastante excêntrica da minha vida."

Está escrito.

Aceitam um cappuccino?



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Como preparar a mala para viagem longa ou excursão.


Minha sugestão começa por uma experiência pessoal:
Peguei sacos plásticos que envolviam travesseiros,  mais resistentes e separei para o uso.
Depois foi só separar as roupas por tipos: camisas, polos, camisetas, calças e bermudas e fazer pequenos grupos.
Esta roupas, maiores, serão colocadas nos envelopes plásticos, em montinhos, lado a lado.
Lembre de colocar as roupas com cuidado nos sacos/envelopes, para que as pontas e mesmo o miolo não fique amassado ou com vincos.
Com cuidado, dobre para que tudo fique bem compacto e não se mova durante a viagem.

Para roupas íntimas, meias, roupas de banho, use envelopes menores, pois serão muito úteis para preencher os espaços restantes na mala.
Se você levar joias, coloque em uma caixa mais resistente envolva nessas roupas ou use um envelope que não seja transparente. Não sei se ajuda em alguma coisa em caso de furto, mas pelo menos dê trabalho para que seja encontrado. E não se esqueça aonde guardou, senão o trabalho será seu.

A separação também poderá ser feita por previsão de uso, com conjuntos camisa, calça, roupas íntimas a ser usadas a cada dia de uma excursão; e não esqueça de se informar de lugares que são frios do lado de fora e quentes nos interiores.


Nos hotéis ficará mais fácil você escolher qual envelope fica no armário, qual fica na mala.
Se você quiser um vestido ou uma camisa específica, já sabe que não estará no envelope de camisetas.
Também é muito interessante levar envelopes plásticos extras para colocar as roupas usadas, as que serão mandadas para lavanderias de hotéis, etc.
Diga-se de passagem, se você vai ficar mais que dois ou três dias em uma cidade, considere mandar sua roupa para a lavanderia do hotel ou usar uma lavanderia expressa próxima. Sobrará espaço na mala para comprinhas.

Use um envelope de emergência, com uma ou duas mudas de roupa, para colocar em uma mala que não seja a que carrega a maioria delas.
Será fundamental caso você esteja em Lisboa e a companhia aérea tenha mandado suas roupas para Londres.
Aliás, tenha também um muda de roupa na sua bagagem de mão. Vai lá que suas duas malas extraviem.
Estas regrinhas valem também para quem viaja junto com alguém.
Pegue seu envelope de emergência e coloque na mala do parceiro ou parceira. E vice-versa.

Quanto à roupa usada, é bom lembrar três coisas:
Estão suadas e/ou malcheirosas.
E, socadas num envelope, ocupam mais espaço do que deveriam.
Tenha paciência: dobre e coloque a roupa usada no plastico como se estivesse limpa. Sobrará lugar para as comprinhas também.

Se sua mala for razoavelmente vazia, fixe bem os envelopes com as presilhas das malas, ou nada disso será útil.

Bom, siga os passos com as fotos e veja as instruções nas legendas, e boa viagem.


Aceita um cappuccino?


 
Sacos de travesseiros

   
Separar por tipos de roupa: camisas, polos, camisetas, calças, bermudas. 

 
Coloque os grupos dentro dos sacos com cuidado para não amassar.
 
Com cuidado, lado a lado.

  
dobrar com cuidado,
para evitar que as pontas se movam



Voilá!
   
O mesmo se faz com calças e bermudas.
As calças terão que ser dobradas.
Há uma tendência de centro ficar mais alto.
Não se preocupe. 
    
É recomendável que se coloque as calças por baixo. São menos usadas.



Prenda nas presilhas da mala
e use envelopes com roupas íntimas
e meias para ocupar os espaços restantes.

Uma cartolina, dessas que embrulha camisas, pode ser usada para evitar que as roupas fiquem marcadas.

Um envelope com vestidos e roupas mais fáceis de amassar pode ser colocado naquele espaço que tem na tampa da mala. Use a presilha da mala e também pedaços de cartolina, para que fiquem bem firmes. Nenhum carregador terá dó de sua mala.
 
Sapatos e tenis, obviamente, são
colocados em um envelope à parte.
 
Pegue um cooler que feche bem
para colocar champús, desodorantes, cremes.
Dentro dele coloque uma
pequena necessaire com remédios.
Será bastante útil quando você quiser
encontrar um comprimido.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O engano da esquerda.

Sartre dizia que a direita é prática e a esquerda romântica.
Uma forma sutil de dizer que a esquerda é burra e se perde em detalhes como, por exemplo, a já famosa "marcha dos 20", um malogrado ato de repúdio ao ex-presidente Lula acontecido na Avenida Paulista no domingo passado.
Sem entrar no mérito moral dos nossos governantes atuais, passados e futuros, vou direto ao ponto do que quero tratar: assim como eu, a maioria das pessoas que conheço só ficou sabendo dessa manifestação - mal organizada - através de gente da esquerda.
Os blogs e pseudo-blogs de esquerda, espertos, achando que estavam ridicularizando os 20 bobões, publicaram mais a notícia que os jornais declaradamente de direita.

Ao invés de serem práticos e sepultar de uma vez essa droga, ficam se divertindo e caindo em seguidos enganos como, por exemplo, querem atar a "marcha dos  20" ao "cansei", outra iniciativa malograda, pois, além de desordenada, desta vez - principalmente - vários empresários ficaram com medo de sofrerem represálias dos apeados ao poder.
Desculpem minha sinceridade: não vi nenhuma madame desfilando entre os 20. Aliás, todos estavam mesmo mal vestidos.
Lamentavelmente ainda, associaram a Avenida Paulista ao poder financeiro, como se os corintianos não tivessem comemorado seus títulos passeando por ali, só para citar um exemplo de massa.
Então, como diria Xenofontes Azambuja, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa".
Enterrem esse assunto e não fiquem dando idéia para a direita se organizar de vez por que, se quiserem eles fazem e invariavelmente o resultado é repressão.

O martelar inconstante desse turma vem de uma realidade no Brasil:
A imprensa é manipulada no Brasil.
Como diria aquela mocinha: "alôoou", a imprensa é manipulada nos Estados Unidos, na Austrália, na Itália, no mundo todo.
A diferença, "gente", é que no Brasil só quem lê jornal é intelectual. A quase totalidade da população, uns 95%, dá outros usos para jornais e revistas e, para esse uso, não devemos nos preocupar.
Esqueçam essa imprensa e não lhes dê repercussão que eles vão se afogar em suas próprias palavras.
Afinal, só no Brasil - e na Argentina - se publica com frequência que aquele anão argentino foi melhor que o Pelé. Você pode levar essa gente à serio? Vá dormir!

Temos dois mensalões recentes que abalaram nossas estruturas:
um de esquerda e outro de extrema esquerda.
Ambas malham ou elogiam alguns ministros do Supremo, particularmente um negro, ora herói, ora traidor.
A extrema esquerda diz ele julga um e não julga outro, como se a falta de julgamento do mensalão de Minas justificasse as mazelas do mensalão de Brasília.
Temos que nos juntar na Praça dos Três Poderes, diariamente, protestando e pedindo cadeia para todos, sem exceção. Afinal, somos honestos e decentes, não somos?
O resultado prático dessa briga boba foi a quase eleição de um bonequinho, filhote do maior corrupto da politica brasileira dos últimos 50 anos, como prefeito de São Paulo.
Abram seus olhos e não se deixem manipular pela direita. E pela esquerda também.





quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Jubileu de coral do Coral da AABB São Paulo


Há cada cinco anos somos brindados com a alegria de uma apresentação de gala do CORAL da AABB SP, em comemoração de mais um Jubileu.



Este ano, como se pode ver pelas quatro primeiras fotos, os
ensaios foram intensivos.
 O Maestro e os músicos passando o pente fino nos menores detalhes.


  









Depois ainda tivemos os ensaios no palco, no qual se destaca a presença da nossa querida Manoela, ainda hospedada na barriga da Paulinha e a Elza, com um grande lenço branco na esquerda da foto, cantando o solo da Cantilena, Bachianas nº 5.

 








Enquanto o pessoal ensaiava, a Curadora do acervo - Carminha - verificava se todos os detalhes estavam seguindo o figurino programado para a festa.
 


Antes da grande apresentação, meus momentos de pânico: de repente aquele frio na barriga, boca seca, texto que parece querer nos engasgar a cada frase, até mesmo a cada sílaba, mas que a respiração pausada,  o domínio sobre o medo, e uma boa dose de cachaça, nos impele a apresentar com orgulho a pérola de nossa AABB.
Senhoras e senhores, mais uma vez, ao longo de 20 anos, tenho alegria de ser o Mestre de Cerimônias de uma festa do Jubileu de nosso Coral.

 
Nosso querido maestro Umberto Urban dá o tom e a alegria se estampa nos lábios, nos olhos e na música que invade nossos ouvidos.
Graças a Deus, tudo corre melhor que nos ensaios.

Ouvimos clássicos, negro espiritual, música brasileira, erudita.
A Gruta da Sununga fez homenagem ao abebeano Mauro Damotta.
Doze músicas, doze aplausos intensos.
Para minha alegria pessoal, o bis foi:
 "Se todos fossem iguais a você".
Pude ouvir do palco, privilegiado, e olhar nos olhos da minha amada, sem pestanejar. 

Nosso maestro agradece aos coralistas, os presentes, os que já se foram, e aqueles que ajudaram a compor a história de Coral desde 1977, com registros dos os acontecimentos com fotos, vídeos e postagens nas redes mundiais. Foi um instante especial para nosso querido Adolfo Stein.

E  minha fofinha e eu fomos somente sorrisos.
Nossos agradecimentos aos coralistas por mais esta alegria.

Aceitam um cappuccino?

domingo, 9 de setembro de 2012

Clerodendron fragans vent, ou Clerodendro Perfumado


Na minha querida AABB tem um CLERODENDRON FRAGNAS VENT, Clerodendro Perfumado, que todo ano dá um espetáculo na reprodução de flores.
 Começa em julho como na foto à esquerda, meio tímido, e aos poucos vai se desinibindo.

   
No final de julho já está carregado com seus cachos, ganhando cores de experiência.


 

Nos meses de agosto e setembro parece que explodiu por dentro e fez vasar um branco que não se sabe se é neve, se é flor, só se consegue ver beleza e exuberância;
 

A primeira foto, lá em cima foi tirada em 25 de junho de 2011 e as demais, em sequência, 9, 23 e 30 de julho, 6, 13, 18 e 20 de agosto, terminando nesta gloriosa foto de 16 de setembro de 2011.

Depois de reinar sobre o Jardim Japonês por um trimestre, ainda nos brinda com uma coloração avermelhada de suas sementes, prontas para procriar:
É quase como uma negação de não se mostrar belo.


Este ano fez sua rotina, de novo,  e no ano que vem tornará a ser rei nos meses que antecedem a primavera.


Sentados nos bancos à sua frente estarão pessoas contemplando o jardim, as carpas, os netos, a sombra e, certamente, sua beleza.
Entre seus admiradores, meu amigo Torres, parada obrigatória para colocar a prosa em dia.


Aceitam um cappuccino?


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Crônica Premiada

O Perdão
Mais uma vez a tristeza se tornava presente em sua vida por mais um desvio de conduta do marido Oswaldo: fora mandado embora do emprego suspeito de desfalque no caixa da firma.

Ela, Maria, não entendia; afinal, em casa não havia aportado dinheiro algum; como ele pudera ter roubado alguma coisa?

Ele, por sua vez, se fechava em copas e só insistia que era perseguição pessoal.

Não havia tempo para curtir o desapontamento, as contas continuavam a cair com a frequência de um trem britânico. Com algum esforço, ela conseguiu que seu chefe entendesse a necessidade de fazer horas-extras e com mais esforço ainda fez com que ele entendesse que isso não era motivo para dar em cima dela.

“- Sua mulher acabou de ligar; simpática ela, tivemos uma conversa amiga.” - era um dos artifícios para lembrá-lo de que ela estava atenta e ele parasse com gracinhas.

Numa determinada ocasião ele elogiou seu vestido – acaso um ligeiramente decotado – recebeu como resposta a frase: “- Sabe Seu Nelson, eu não sei lidar muito bem com esse tipo de elogio”.

Em casa, seu consagrado marido sempre era encontrado dormindo no sofá somente de cuecas, dia após dia. Não lavava a louça, não fazia comida, não passava um pano no chão, porque isso o deprimia. Jurava que havia saído para procurar algum emprego. Todavia, a barba por fazer indicava que ele estava mentindo.

Por sua vez, ela chorava baixinho pelos cantos aonde ninguém pudesse ver, pois não queria dar o braço a torcer. Não dizia blasfêmias e só tinha em Deus o apoio que precisava.

Um determinado dia ouviu uma colega fofocar com outra que seu Oswaldo era um desajustado e vivia às custas dela. Ainda sob impacto daquela frase mal dita ouviu da outra que “com um marido assim bonitão eu também dava casa, comida, roupa lavada e beijinho na boca, sem reclamar”.

Foi numa terça-feira de maio que seu mundo praticamente desabou. Ouviu do chefe que o setor passava por reformulações e que ela deveria procurar a Seção de Pessoal. Lá receberia ajuda para conseguir emprego em outra firma: “- Nós consideramos bastante você e seu trabalho e lhe ajudaremos com o que for possível” - ouviu do patrão que, certamente, colocara naquela demissão toda a raiva por sua rejeição.

Chegou em casa com o rosto enrugado de tantas lágrimas e, para sua surpresa, encontrou o marido com uma mulher, fazendo amor no seu sofá cujas prestações ainda não acabara de pagar.

Aos gritos atirou tudo que estava à mão nos dois e como resposta levou uma surra dele, para “se colocar no seu lugar”.

Junto com os cacos dos sentimentos, juntou uma pequena mala de roupa e foi para a casa da irmã, único porto seguro que achou que lhe restava. Entretanto, logo percebeu que não aguentaria ouvir todas aquelas frases como “eu te avisei que ele não prestava” e imaginou que sua vida havia aportado no inferno.

Os dias que se passaram foram dedicados a arrumar um novo emprego e as propostas não eram lá grande coisa.

Do marido recebeu diversos telefonemas e pedidos de perdão.

Voltou para sua casa, mas manteve distancia do bruto, dormindo em quarto separado e trancado a chave.

No dia em que finalmente saiu da empresa, um mês depois da “tarde terrível”, encontrou com um velho amigo de escola e este lhe falou que ia para o Paraná trabalhar numa montadora de carros que ali se estabelecera.

Ele também recordou que ela sabia francês e sugeriu que fosse lá tentar alguma coisa.

Nem titubeou; pegou o ônibus e enfrentou as entrevistas. Foi a melhor decisão que tomara, conseguiu o emprego, ganhando mais e com melhores condições do que o anterior.

Ao retornar para casa tomou outra surra “para aprender que devia satisfações ao marido”.

Foi para no hospital e no dia seguinte recebeu a visita do Oswaldo, com direito a flores e mais pedidos de perdão.

Ao ter alta ligou para o novo emprego, relatou que estivera hospitalizada e perguntou se a vaga ainda era sua. A resposta foi positiva.

Certificou-se que o marido não estava em casa e lá chegando, pôs tudo o que conseguiu em duas malas e partiu.

Quando o Oswaldo chegou em casa à tarde encontrou um bilhete perfumado e escrito com letra cursiva, bem caprichada:

Eu te perdoo.

domingo, 15 de julho de 2012

NADA MUDA, NUNCA


Tenho um conceito na minha cabeça que vivemos numa sociedade e que não existe um ser messiânico que possa conduzir o povo ao limbo por si só.

Também não concordo em pinçar uma única pessoa e dizer que “este foi o melhor piloto de todos os tempos”, o "melhor mecânico", o "melhor presidente", seja lá o que for.

Como toda regra tem exceção, admito que o Pelé foi muito melhor que qualquer outro jogador de futebol que eu vi jogar, faço questão de grifar.
Na minha preguiça de sábado à noite, trocava os canais da TV procurando, “pelo amor de Deus”, uma comédia que me distraísse.

Parei, só Deus sabe porquê, no programa “o maior Brasileiro de todos os tempos” e fiquei alternando com o jogo do Brasil e Colômbia no futebol feminino.

Alternei porque não agüentei nem os classificados que alternavam o Céu e o Inferno, nem o jogo morno.
Num dado momento Carlos Nascimento entrevistou duas senhoras na platéia e uma deu opinião que o maior brasileiro foi o Padre Marcelo Rossi.
Que susto!

A outra o Luan Santana.
Cai da poltrona.
Respeitando os dois citados, que merecem os parabéns pelo destaque que conseguiram na vida, comecei a analisar o resultado da pesquisa do SBT e traçar paralelos com o nosso mundinho, nosso Brasilzinho, nosso Brasilmundinho e comecei a entender o sentido da vida, mesmo sem ter chegado ao alto da montanha sagrada.
Foi interessante notar que nomes como Vital Brazil (98º), Jorge Amado (93º), Marcos Pontes (77º), Marechal Rondon (70º), Carlos Chagas (66º), Zumbi dos Palmares (53º), Visconde de Mauá (45º) e Machado de Assis (41º) permearam dente outros como Cazuza (88º), Amado Batista (86º), Michel Teló (72º), Dedé do Vasco (63º), e os citados, padre Rossi (60 º) e Luan Santana (42º).
Alguns nomes só podem ser enquadrados na categoria Cacareco, como por exemplo, o Maluco Beleza Raul Seixas (46º) ou o nobre deputado Tiririca (48º), que deixou para trás Leonel Brizola (47º) e Carlos Drummond de Andrade (52º).

Só mesmo a exposição televisiva explica a presença evangélica do Missionário R$R$ Rodrigues (54º), Claudia Leite(75ª) ou Datena (81º).

Datena!!!
Aí eu me perguntei:
Será que é por isso que temos tão pouca opção na hora de votar?
Essa é a razão de sermos flagelados cotidianamente com tantos disparates, roubos, indecências?

Então meus prezados amigos (incluídos aqueles do FACEBOOK de tantos conceitos):
Na minha modesta opinião, deveríamos fazer uma Moção Popular e submeter ao Congresso Nacional uma lei que mande colocar em todos os portos, aeroportos, fronteiras do Brasil uma placa com os dizeres dantescos:

Lasciate ogni speranza, voi ch’intrate”.

Nem precisa colocar em Português, acho que pouquíssimos vão entender o que significa.

Aceitam um cappuccino?

quinta-feira, 14 de junho de 2012



Noite de 2 de outubro e minha caçula chega em casa com um bolo de pelos de pouco mais de um palmo, tão pouco que cabia numa caixa de tênis.
Tremia muito – mais tarde aprenderíamos o que era sinomose – e chorou a noite inteira do lado de fora de casa, junto a uma garrafa de água morna e uma escova de pelo que até então limpava os móveis de casa.

Iria ficar em casa só aquela noite, mas...

Logo ganhou desenvoltura e aprendeu e nos ensinou muita coisa.
Por exemplo:
ensinou que almoçaria e jantaria ao mesmo tempo que nós, uns na mesa, outra no tapete colocado ao lado da mesa da cozinha.

Sim, no tapete; era uma dama, não comia nada pousado diretamente no chão.

Aprendeu também a sair correndo para a escada da edícula sempre que eu perguntava “Quem foi?”, entendendo que havia sujado em lugar que não devia.

Geniosa, adorava passear de carro e, quando saíamos e não a levávamos, era comum encontrar um montinho mal cheiroso mais ou menos aonde iria colocar o pé assim que descesse do carro.

Era só alguém pegar a coleira e seus latidos de alegria acordavam a vizinhança.

Também aprendeu uma graça que, modestamente, ensinei: dar a patinha.

Esse gesto era a alegria de todos, particularmente das amigas das minhas filhas que viviam estendendo a mão e pedindo para que pousasse sua pata.

Em seguida ganhava carinhos e risadas.


Aos poucos foi avançado os limites que sempre impus de ficar sempre fora de casa: ganhou uma caminha na sala, outra na porta de entrada, do lado de fora. Era necessário ser cuidadoso ao abrir a porta, pois ela passava feito uma bala de fuzil e deitava no seu domínio dentro da casa.

Depois nos seguia até a cozinha e escolhia a ordem dos petiscos: primeiro o de couro de vaca, depois o de carne e por último o biscoito para tirar tártaros.

Nos últimos anos o coração mole de minha mulher já me mandava aceitar que ela dormisse dentro de casa quando lá fora estivesse frio.

Aprendi muito com essa coisinha intuitiva que não podia ver alguém chorar ou com dor que logo se postava ao lado e encostava sua cabeça na perna, a guisa de apoio.



Tenho que agradecer muito minhas filhas, particularmente a Fernanda. Eu já havia enterrado uma companheira de muitos anos e não queria repetir a experiência.

Mas, ainda que não pareça, sou coração mole e também ensinei minhas pequenas que é necessário enfrentar ordens e regulamentos estúpidos.

São não tivessem sido rebeldes um dia, eu não teria vivido a alegria que vivi com nossa Oncinha.


Agora, após essa “uma noite só” que durou mais de treze anos, ela partiu.

Foi a única tristeza que nos deu .

Repousa junto ao manacá que, generoso, haverá de salpicar suas pétalas roxas e brancas sobre o pedaço de chão que será dela pelo tempo que tiver que ser.



Encontre seu caminho, querida.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dia das Mães - Como é difícil ser mulher



Pois é, estou mesmo muito preguiçoso para escrever e as notícias que temos hoje em dia me desanimam ainda mais.
Quer ver uma:
“Vôlei feminino classifica-se para Londres em torneio que tem gordinha e musa colombiana”.
Aqui caberia um palavrão.

Nossas meninas entraram em quadra com mais da metade do time cheio de esparadrapos, lutando contra dores, Dia das Mães longe de casa, pequeno interesse público, tudo por um ideal de chegar novamente às Olimpíadas.
E aí o que a mídia põe no ar?
Que a levantadora uruguaia, amadora e muito idealista, estava acima do peso.
Será que esse bolha que fez a reportagem pensou nos sacrifícios que essa moça fez para estar no interior de São Paulo, defendendo seu país numa missão mais difícil que a do Cavaleiro da Triste Figura?
Esse time, com a gorduchinha e uma veterinária e uma babá – provavelmente universitária, pois Universidade não é bicho papão no Uruguai – sabia de antemão que não teria a menor chance contra as peruanas e colombianas, quanto mais contra as brasileiras, e veio para a disputa. Não havia espaço para a vaidade nessas circunstâncias.

Da mesma forma a levantadora reserva da Colômbia – alçada ao discutível título de musa – foi badalada aos montes por um bando de patetas que ficaram babando, com os hormônios vencendo ao profissionalismo e, cá para nós, nem era tão bonita assim.
Invadiram o Facebook da moça!

Daí vem a questão:
Uma vez que as mulheres ocupam cada vez mais as mesas de jornais, rádios e tevês, por que não existe essa preocupação em eleger um muso entre os jogadores de vôlei, não fazem enquetes sobre as melhores pernas dos jogadores de futebol, sobre qual lutador de box tem o suor mais forte?

Será que a preocupação com o trânsito, filhos, comida, segunda, terceira e quarta jornada, impede a libido feminina?

Definitivamente não é fácil ser mulher:

Além de trabalhar melhor, ganhar menos, por comida quente na mesa, ainda tem que ser musa, baita musa, para competir com as musas dos times de futebol, das equipes de judô, vôlei, natação, meu Deus, é muita competição!

Dedicada a minha musa, que além de bela, é simplesmente ela mesma.

Será que ela toma um cappuccino comigo agora?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sem perdão ao passado

Lembro cristalinamente um ensinamento do meu querido Padre Arnaldo, que tanto ajudou a formar o caráter da minha turma da Igreja de Santa Terezinha, que me acompanha desde então:
"A pessoa só é criminosa até pagar a pena. Depois disso, volta a ser uma pessoa comum."
Verdade?
Não, o perdão só vem se acompanhado de acessórios:
Se, por exemplo, você for um cantor de pagode e traficar armas e fizer rolar muita droga em suas festas, você só vai pagar parcialmente sua pena e pode até cantar no Programa da Xuxa que será adulado por muita gente.
Mas aquele garoto pobre, negro e órfão que morava na minha rua, após ser adotado por um traficante, só encontrou seu perdão com quatro tiros no rosto. No rosto.

É um dos mistérios que não consigo entender:
quando uma pessoa precisa de ajuda e dá sinais disso, parece que todos os que convivem em derredor se voltam contra ela e, se tentar tirar a cabeça para fora d'água, encontra um pé fazendo força para que se afogue.
E olha que não são só os colegas de trabalho - interessados em ganhar mais - que fazem isso: amigos fazem, filhos fazem, cunhados fazem e como fazem.
Isto deve ser o princípio de muitas depressões.

A vida proporciona possibilidades de mudanças e nosso pai, que foi aquele carrasco na nossa juventude, com o passar do tempo e das trombadas que a vida nos dá, passa a ser o amigo que esquecemos que era.
Afinal, meu pai errou na minha educação, o meu avô errou na educação do meu pai, meu bisavô errou na educação do meu avô. Minhas filhas errarão na educação da sua prole.
Quem foi severo, deveria ter sido brando, quem foi liberal deveria ser severo, assim por diante.

Talvez nossa intolerância seja fruto da intimidade; nossos amigos e familiares estão próximos e é muito fácil se dar um tapa no irmão ou na mãe que no chefe; os primeiros podem relegar, o último, jamais.

Sinceramente acho que nem sempre fui de fácil convívio, apesar de nas minhas avaliações no trabalho sempre constar a expressão "lhano no trato".
Ser dramático ou fantasioso foram dotes atávicos e só eu e minha analista sabemos quanto lutei para me livrar disso.
Hoje minhas reflexões muitas vezes me tiram o sono.

Então, quanto a mim, peço que analisem se já não cumpri minha pena, se já não livrei minha esteira cármica e, por favor, aceitem o convite para um cappuccino.