sexta-feira, 13 de abril de 2012

CARTAS DO PETINATI

Os avanços da modernidade sepultam, com tijolos pesados, os caminhos tortuosos da comunicação de anos atrás, e olhe que não faz tanto tempo assim.
Minha lembrança vai até os idos de 1960, dois anos após ganharmos a Copa do Mundo e ano de inauguração de Brasília:
Televisão e o Repórter Esso eram para muito poucos.
Nossas notícias, jogos de futebol e músicas eram ouvidas pelo rádio.
As estações de Rádio – as emissoras – tinham o mesmo perfil das televisões abertas de hoje: umas mais voltadas para a música, outra para as notícias, conselhos, até mesmo a reprodução fantasiosa de crimes que eram manchetes de jornais da imprensa então denominada de “marron”, por publicarem baixarias e fotos de mulheres semi-nuas.

Havia também apresentadores que, na prática, exerciam o papel dos atuais “ancoras” da TV: liam e comentavam “as manchetes do dia”.
Um deles, Kalil Filho, numa entrevista chegou a brincar: “as giletes do dia”, pois o ritual era somente recortar dos jornais os títulos que seriam lidos e comentados.
Jornais eram importantes então, bem diferente de hoje quando somente requentam o que se vê na internet e na TV.

Um dia vou falar do divertido Vicente Leporace, mas não hoje.

Nessa época o carteiro não chegava até minha casa.
O limite de entrega de cartas era o então “Caminho Chora Menino”, que começava lá em Chácara dos Padres e desembocava no Cemitério que até hoje tem esse nome poético: Chora Menino.
São muitas as versões para o antigo nome do bairro e meu ex-professor de Português - Sr. Wilson, do Colégio Consolata, por ter sido nascido e crescido no bairro, dizia que nenhuma delas era confiável. Mas o nome sempre foi bonito:
Chora Menino.

Aos poucos o pedantismo do pessoal da Pedro Luiz, Aluizio de Azevedo e da nova denominação do Caminho, Alameda Afonso Schmidt, vencidos pela especulação imobiliária, resolveu incorporar o nome da Santa, Doutora da Igreja, a todas os endereços da região e, quando finalmente os Correios começaram a levar correspondências em casa, já em 1970, o bairro deixou de ser o “Chora” e passou a ser Santa Terezinha.

Um ano antes eu havia arrumado uma namorada em Ribeirão Preto.
Tipo namorada como se diria hoje em dia.
Nosso namoro era pautado em encontros fortuitos no Colégio Coração de Jesus, beijos bem roubados, e cartas enormes remetidas à casa da minha tia Maria das Graças, na Rua Alfredo Pujol .
A correspondência que recebia era tamanha que minha tia ficou brava comigo porque ter que dar uma gorjeta para o carteiro que antes só esporadicamente deixava algo por lá.
Minha ansiedade por novas notícias passa por diversas fases:
um dia para a carta ser escrita e postada,
outro para ser enviada para São Paulo,
mais dois ou três para chegar à casa da tia
e mais alguns dias para ser ter notícias que devia passar por lá.

A música cantada por Izaurinha Garcia, “quando o carteiro chegou” era minha realidade: angústia, tristeza, alegria, saudades sepultadas.

A propósito, o namoro não deu certo.

Uma das correspondências mais comuns da época eram os cartões-postais, que afortunados amigos e parentes mandavam, fosse de Santos, fosse de Nova York que, em 1958 era alcançada por uma viagem que durou, para um vizinho, 73 horas.
Voos nonstop, nem pensar.

Postais e selos eram disputados por colecionadores, mais até que maços de cigarros vazios.

Mais ou menos na mesma época, 1970, conseguimos – finalmente – um telefone.
Sim o nome era somente telefone.
Nome e sobrenome, telefone fixo, é coisa muito recente.
Nosso aparelho já era da cor cinza, moderno, mas ainda era discado.
Dedo enfiado no vazio do número e girado para a direita até onde fosse possível.

Quem poderia dizer, naqueles idos, que o mundo estaria ao alcance de nossos computadores em frações de segundo?

Voando no tempo, hoje minhas cartas, que aguardo com ansiedade, são as mensagens escritas por meu amigo Vicente Petinati.
Ele me manda, sem freqüência específica, uma mensagem com um resumo de um capítulo de um livro que está lendo, que narra à trajetória de Hans Baur, piloto de confiança de Hitler.

Capítulo por capítulo, de mensagem em mensagem, me intero de novidades e relembro de fatos que estudei, revejo como a Guerra é uma insanidade ao alcance das mãos de poderosos ou idiotas.

A felicidade, porém, está na expectativa de uma nova carta, nova mensagem. Que conterá?

Até lá, sento e tomo meu cappuccino.
Servidos?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fotos em Ovos de Páscoa - Para registro histórico

Em 1997 fiz para o pessoal de minha família um calendário onde substituía a data por uma foto, exatamente como hoje propõe o Facebook para seus assinantes.
Cheguei a mostrar esse calendário para várias pessoas e, de uma forma ou outra, alguns amigos disseram que usariam a idéia.

Pois é, a gente nunca pensa em direitos autorais numa hora dessas e, cá para nós, neste caso seria uma grande bobagem.
A criação, por si só, foi muito simples.

Agora lá vou eu de novo com minha criatividade e pensei numa situação diferente, não usual, para a páscoa.
Cansado de ser roubado por fabricante de ovos, que cobram pelo menos cinco vezes mais pelos ovos que pelas barras de chocolate com o mesmo peso, comprei algumas barras de um ou dois quilos de sabores diversos, ao leite, meio-amargo, algumas essências e, com a estrita cumplicidade da Elisa, que foi atrás das embalagens e contribuiu com a escolha e formato da foto, planejei alguns ovos de páscoa, todos bem recheados e com casca grossa, substancial, e mãos a obra.


Água quente, refratário em banho-maria, chocolate picado e derretido, enformado, gelado e desenformado, lá fomos nós, colocando recheio, embalando e,



toque pessoal,

colocamos a foto de quem ganhará o presente dentro do celofane.


Podem ficar tranquilos, não processarei ninguém caso copiem minha idéia, mas fica aqui o registro histórico.

A propósito, um dos recheios é chocolate gosto cappuccino.


Aceitam?

sexta-feira, 30 de março de 2012

RESPONSABILIDADE DO IRRESPONSÁVEL

Basicamente todas as pessoas que conheço têm uma cama confortável.
Alguns têm lençóis mais caros, fios árabes, outros são de linho, mas todos, com certeza, limpos e confiáveis.
Quando dormem com cobertores, todos querem não sentir cheiro de guardado ou de mofo.

É normal também que essas pessoas queiram, quando viajando, ter um apartamento que lhe traga um conforto próximo ao que se tem no lar, que não lhe cause claustrofobia, o frigobar e o ar condicionado não sejam barulhentos, este último também com a missão de refrescar ou esquentar o ambiente de maneira efetiva.

Como Agente de Viagens, em se tratando de hotel, tenho uma vasta experiência com clientes que solicitam hotéis baratos e, em geral, me pedem duas coisas:
A) Um quarto limpo e barato, porque a gente não fica dentro do quarto mesmo;
B) Por favor ou “pelamordeDeus”, me tire dessa birosca;
Não tem erro: no turismo você compra o que você paga.

Recentemente, numa viagem de serviço, ficamos hospedados em um hotel, na França, que - com o coração aberto posso dizer - caso mandasse alguém para lá, perderia, para sempre, o passageiro e a amizade, e possivelmente levaria um processo nas costas. Nossa cama não tinha lençol, nosso chuveiro não funcionava. Afinal, não é porque estávamos na França que queríamos ficar sem banho. Era uma viagem de serviço, aprendemos bastante, mas foram duas noites para apagar da lembrança.

Há algum tempo atrás um passageiro me ligou e deu seu recado:
“-Onça, por favor, quando você me alugar um veículo, não pegue o carro mil, não. Eu estou acostumado com um carro mais potente e não quero morrer numa ultrapassagem mal calculada”.
Simples assim.
Se for mais barato, caso você ligue o ar condicionado, não sobe o morro.

Está certo que a internet esteja aí para ficar e compete muito conosco, Agentes de Viagens com nome e endereço e telefone conhecidos.
Sim, se alguma coisa der errado, nós estamos aqui para consertar. Já nos sítios da internet...

Então acompanhem comigo dois casos que estão pipocando nas propagandas da TV:
São ofertas para hotéis em duas capitais do Nordeste, Salvador e Recife.
Os preços são irreais: R$50,00 e R$70,00 por dia. COM CAFÈ DA MANHÃ!!!
Aí então nós fomos conferir os hotéis:
Ambos ficam ao lado dos aeroportos, longe, mas muito longe mesmo, da praia, e nas avaliações dos passageiros ambos os casos, 60% consideraram os hotéis entre RUIM e PÉSSIMO, 20% razoável. As menções mais freqüentes dizem respeito à má qualidade do sono, barulhos diversos, atendimento questionável e o péssimo café da manhã.
É certo que as pessoas se sentem mais motivadas a protestar quando não gostam do que opinar com elogios.
Também é sabido que proprietários pedem para parentes postarem comentários positivos.
Mesmo assim, onde há fumaça, há fogo.

Sinceramente, é difícil você ouvir do passageiro que, no site tal, tem umas ofertas tentadoras. Elas são todas assim.
Raríssimas exceções.
E também devemos analisar as exceções:
Campos do Jordão no final de junho até a primeira semana de agosto, esqueça; só mesmo se você precisar ir de qualquer forma, ou tem cacife suficiente para conviver com preços europeus classe A.
Fora dessa temporada, mormente no meio da semana, os preços caem. Meio, não fim de semana. Não tente dar uma de esperto: seu agente sabe disso melhor que você.

Ah! Você viu no Peixe Urbano!
Pois é, esses preços são mesmo baixos; mas se você estiver pensando em Bariloche ou Nova York, antes de se deixar cair em tentação com o precinho do hotel, confira a disponibilidade do aéreo.
Não há ponto sem nó.
E veja as entrelinhas. É muito comum compradores se queixarem que os hotéis só disponibilizam os apartamentos durante a semana e em alta temporada.
Já que falamos de aéreo, é bom que você saiba que algumas combinações de passagens – como uma paradinha em Londres ou Miami - só mesmo emissores experimentados são capazes de compor.
Assim, uma passagem para Istambul com uma paradinha em Paris pode custar US$2.798,00 mais taxas, ou US$1.223,00 mais taxas.
A primeira está disponível nos sites de passagens; a outra, na Onça Turismo.
Por quê?
Milagre!
O Arnaldão está queimando dinheiro?
Não.

Esta é a diferença básica:
Quando tudo dá certo, tanto faz ter comprado com qualquer um dos dois – site ou agente;
Quando dá errado, é melhor ter um ombro amigo, responsável.

E tem mais uma coisa na qual somos imbatíveis:
Quero ver o site fazer um cappuccino para você.


Aceitam um cappuccino?

domingo, 18 de março de 2012

Como sempre a Verdade é massacrada pela História.

Algumas coisas não mudam e dentre elas o nojento jeito europeu de ser.
No geral, italianos, ingleses, franceses, alemães e os primos pobres espanhóis se acham melhores que pessoas nascidas em outros países.
Donos do dinheiro amealhado com a exploração da América, África e Ásia, insistem em impor seu modo de vida sobre os demais.
Para sua grande tristeza os americanos dos Estados Unidos conseguiram transformar seu país na grande potência do século XX e esses eles tem que engolir.

Tudo isto eu digo em função de duas coisas:
o reinício da Fórmula 1 e as Olimpíadas que se aproximam.
Sim, ainda que a Globo não queira, teremos Jogos Olímpicos – o maior evento esportivo do planeta – este ano, em Londres. Na Record.
Não restam dúvidas que a Limpeza será a primeira desclassificada em Londres.
A segunda verdade será a efetiva manipulação de dados pela Imprensa Européia e Norte Americana. Eles não dirão o que todo mundo sabe, que atletas de ponta competem dopados, principalmente o pessoal do Atletismo de Campo (corridas de curta e média distância, saltos, arremessos) e na Natação, onde é incrível o número de asmáticos que se dá bem.
Sofri de asma toda minha infância e não consigo entender como é possível alguém asmático desenvolver tamanho esforço em piscinas.
Aí acaba sobrando para países menores – e aí, lamentavelmente – se enquadra o Brasil, sobrinhas em destaques individuais como foram o Cielo e a Maurren.
Reparem quantos tenistas – homens e mulheres – no topo da classificação ad ATP vão, subitamente, sofrer contusões às vésperas dos Jogos. Não querem ser pegos no antidoping do COI que é infinitamente mais severo que os da ATP.
Hoje já se começa a falar que Carl Lewis concorreu dopado. Isso deixou Bem Johnson irritado. Cassaram sua medalha e o baniram do Esporte e o americano – que devia estar bem mais recheado que ele – escapou.
A Enfermeira da Jamaica, conterrânea do Ben sempre disse: “Todo mundo já sabia, então porque pegaram somente o meu menino?”
Assim como na Guerra, a Verdade é a primeira a tombar.
Mulheres barbadas ainda fazem parte do Circo das Olimpíadas e algumas delas morrem prematuramente como aconteceu com a ainda recordista olímpica Florence Griffith-Joyner, que não conseguiu completar 40 anos.
Nas provas de 400 metros alguns atletas – coincidentemente americanos, dominaram as provas por várias edições olímpicas. E depois, bom, quem liga para o depois; o que importa são as estatísticas.

Já na Fórmula Um tudo começou de novo na Ferrari: o europeu tem um carro que consegue correr e o brasileiro uma carroça “um segundo” mais lenta.
Por que será que o Felipe Massa desaprendeu a correr depois de ir para a Ferrari?
As coisas só vão se regularizar e a diferença só chegará aos centésimos depois que o espanhol já tiver livrado alguma diferença e aí, sabe como é, o Massa terá que correr para a equipe.
Um nojo.
Já não dou minha audiência à Fórmula Um.

Indianápolis, aí vamos nós.


Aceitam um cappuccino?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Bodas de Cedro e o nhoque da sorte

Estávamos preparados para comemorar nossas Bodas de Cedro em algum restaurante da cidade quando um grande estrondo - após um furtivo raio - nos desanimou a por os pés fora de casa.
Afinal, coisa mais cacête você ter que estacionar um carro debaixo de um temporal e tomar um banho torrencial rumo à mesa que, Deus queira, fique longe de goteira e borrifos d'água.

Então tomei a decisão que tinha que ser tomada e me preparei para a guerra culinária.



Avental posto, batatas a cozinhar um tanto - não demais para não desandar a massa - e vamos lá:

Preparar o molho; sejam gentis e não me perguntem a fórmula. É de família e demora para ser entendida.


Amassar as batatas,


misturar com um ovo e pouca farinha,


passar no garfo e na água fervente até levantar;



Na terrina bastante molho. Meu nono dizia que nhoque tem que nadar.



A mesa foi posta pela neguinha.



Não é o nhoque da sorte do Spoleto da Penha, mas vá lá.

Depois...


Vocês queriam o quê? Que eu deixasse a porta aberta?

Vão tomar um cappuccino em nossa saúde.




















segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Qualquer hora dessas

Engajadas ou não, notícias recentes me fazem refletir que, cada vez mais, estamos perto de um ponto de inflexão redundante em ruptura social.
Afinal, o Brasil não é um país constituído de cidadãos de primeira, segunda e terceira classe.
Somos todos iguais perante a lei talvez tenha sido meu primeiro ensinamento nas antigas aulas de Educação Moral e Cívica.
Infelizmente não é o que vejo.
O que eu vejo, sim, são tristes mães cobrindo o rosto de seus filhos e fugindo dos seus barracos incendiados por quem deveria manter a ordem pública e proteger os cidadãos.
“Servir e proteger” é o slogan estampado nas portas dos carros de polícia da Califórnia.
Temos mais sol que a Califórnia e somos um povo mais feliz.
Deveríamos ter um “proteger e servir” escrito no capacete de cada um dos policiais da Polícia de Choque.
E também na mesa do Prefeito, Governado, Presidente, vereadores, deputados e senadores.
Até quando nossos governantes acham que o povo vai aceitar a tese de que “Alguns nasceram bem, são do bem e viver bem”, enquanto outros não tiveram sorte e nasceram pobres e para sair dessa condição só mesmo pisando na cabeça de muita gente que aí a coisa da certo.
Volto a publicar o poema do Pastor alemão Martino Neimöller:
“Quando os nazistas levaram os comunistas, eu fiquei quieto; eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu permaneci quieto: eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei: eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus, eu me mantive calado: eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não sobrou ninguém que protestasse por mim.”


Aceitam um cappuccino para refletir?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ele não tinha esse direito

Ouvindo hoje à tarde meu amigo Renato comentando sobre o malfadado acidente com o Costa Concórdia, me vieram à cabeça algumas reflexões:
1ª - Sempre, ao vender viagens em cruzeiros, adverti nossos passageiros que o grande perigo de uma embarcação como essa, com 112 mil toneladas, era – e é – o incêndio. Efetivamente e por incrível que pareça, um incêndio pode representar um grande número de baixas entre as pessoas que se encontram a bordo. É o terror de quem vive nos navios.

2ª – Nunca, mas nunca mesmo, passou pela minha cabeça que o capitão de uma nave dessas, dessa companhia em particular, iria se portar de forma tão terrível, irresponsável e covarde como se pode depreender, até agora, se comportou o tal Francesco.

Terrível, pois a nave não era sua embarcação de veraneio, para que tomasse a decisão de desviar dos caminhos pré-programados e “prestar homenagem” a quem quer que fosse.
ELE NÃO TINHA ESSE DIREITO.
Imaginem um comandante de um desses aviões 480, com todas suas rachaduras, resolvesse homenagear o Papa e passasse com o aeroplano em vôo rasante sobre a Praça de São Pedro num domingo, meio-dia.
Um verdadeiro absurdo.

Irresponsável por pegar um patrimônio de mais de 450 milhões de Euros e batê-lo em pedras, abrir um rombo de mais de 70 metros a bombordo e... se marcar.
Deveria começar a evacuação de imediato.

Mas, parece, só evacuou nas calças.
Covarde, muitas vezes covarde, por abandonar a embarcação com passageiros e, dentre eles, idosos, mulheres e crianças. Isto é imperdoável.
Saiu e não voltou nem quando lhe ordenaram que voltasse..
Covarde.

3ª – Qualquer nave desse porte, assim como enormes aviões, só soçobram quando alguém faz muita merda, como foi o caso. Elas têm estabilizadores, controles por satélites, compartimentos estanques, estudos estruturais intensos, confecção elaborada que exige, muitas vezes, ajustes milimétricos.

4ª – Ainda existe uma possibilidade que todo mundo sabe e ninguém quer considerar: que algum imbecil, em nome de alguma idiotice, loucura, fanatismo ou loucura, atire um míssel contra o navio. Bom, mas aí entra mesmo o imponderável e, nas águas onde navegavam o Concórdia essa possibilidade era praticamente nula.

Resta-nos a imensa tristeza de ver por terra – ou por água – uma segurança que tínhamos para vender, tranqüilos, uma das coisas mais prazerosas que se pode fazer na vida: curtir um cruzeiro com afeição, elegância, glamour, prazer.
A foto que se vê nesta primeira página é de um cruzeiro.

Pelo menos por um tempo.

Às vezes essas desgraças evitam outras do mesmo quilate.


Minhas orações aos que se foram.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pé no saco!

Existem algumas polêmicas que me deixam irritado por serem estéreis.

Quer coisa mais inútil que discutir celibato na Igreja Católica?
O Papa é isso, o Papa é aquilo.
Quer saber?
Está nas normas: se quiser ser Padre ou Freira não pode se casar.
A hora que a Igreja estiver fechando as portas por falta de padre – já que, mais um absurdo, freira não pode celebrar missa – algum iluminado vai ter que achar uma solução.

Dizer que os padres são pedófilos por falta de casamento é a maior das tolices: basta ver o perfil dos pedófilos americanos, país que certamente tem o melhor estudo a respeito: a maioria absoluta se constitui de homens casados, com filhos e - para pasmar – normalmente respeitados dentro da sua célula social como “pessoa boa” ou “Pessoa do Bem”, a idiotice semântica do momento.

Não acredito que o Papa atual – nem o próximo – vai querer mudar alguma coisa a respeito disso.
Só tenho uma curiosidade que chega a morbidez:
Por que ninguém foi encher o saco do Ho Chi Min sobre seu celibato ou o Dalai Lama?

Quando teremos protestos pelo direito de monges tibetanos deixarem os cabelos crescer?
Monge budista pode ser celibatário e casto e não se encontra uma linha em qualquer pesquisa feita na internet de pessoas xingando os seguidores de Sidarta por isso.

Isso é religião e religião é facultativo em nossas vidas.

Para mexer no vespeiro de vez, acho que não será para meu tempo que a Igreja Católica - e várias outras religiões e vertentes religiosas - vão admitir a prática homossexual.
Sabe o que eu acho disso?
Graças a Deus - se me permite Zélia Gattai - que o Estado é laico.

Não me afeta em nada as proibições da Igreja, da mesma forma que não tenho medo de pecar.
É da minha Natureza Humana.
Lembro dos padres do Ginásio Salesiano que estudei, da igreja onde passei vários anos de minha juventude, do pessoal que tentou me cooptar para a Opus Dei, repetirem quase mecanicamente que o sexo deveria ser usado somente para procriação e, para usarmos uma linguagem mais cotidiana, se restringir ao “Papai e Mamãe”.
“’Tá bom, ‘ta bom, “Seu” Padre, eu já entendi. Agora, bota aí na minha conta de pecados alguma safadezas que não dei conta de resistir. Perdoa em nome de Deus”.
Não é simples assim?

Outro dia li que aquele deputado que já foi BBB quer proibir pastores de pregar a cura do homossexualismo.
Primeiro lugar, deputado, o senhor participou de um BBB, então não atire pedra no telhado da ignorância alheio.
Segundo lugar: o Pastor terá sucesso, deputado? O senhor vai dar moral para um idiota destes?
Terceiro lugar: o Estado laico – Graças a Deus, se me permite Zélia de novo – vai interferir em religiões? Então por que o senhor não pede a proibição da prática da religião que prega o fim das todas outras religiões e que apedreja homens homossexuais e mulheres violentadas? Não daria Ibope ou estaria fora de moda?
Ou isso afeta um mundo distante do nosso?

Abaixo a homofobia, mas abaixo a interferência religiosa no estado laico e vice-versa.
Se o Papa acha que o homossexualismo será o fim da família, ele que não se preocupe; quando essa hora chegar, não existirá padre, bispos ou papas na face da Terra. Estarão todos casados.

Só tomando uma...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Tudo sempre igual

Todo ano, no final do ano, vivo conflitos nas comemorações de final do ano.
O primeiro são os presentes a serem dados; é delicioso dar presentes, ver a pessoa que amamos receber e gostar e sorrir e ficar feliz.
Entretanto, as coisas nem sempre acontecem nessa ordem. Algumas vezes nem acontecem.
Amigo secreto, amigo oculto, amigo inimigo.
Quantas vezes vi pessoas, no trabalho, usarem o amigo-secreto para “dar uma lição naquele filho de uma...”.
Quantas vezes comprei o presente pelo valor estipulado e recebi um presente chocho, que não valia metade do combinado.
Você já recebeu um daqueles vales-presente de uma livraria.
Minha interpretação para esses vales é a seguinte:
“Não consigo imaginar quais são os seus gostos, nem gosto muito de você mesmo e resolvi me livrar desse empenho dando uma de gente criativa”.
Graças a Deus nossos amigos secretos de agora são somente entre o pessoal da família e servem para darmos boas risadas.

Outro conflito é a divisão do tempo; vejo agoniado a pressão que pessoas queridas sofrem pela imposição de passar o Natal com um e outro lado da família.
Fico agoniado com isso também. Aquela correria num trânsito de bêbados, loucos e motoristas mal-formados como somos todos.
O que deveria ser uma festa se transforma em angústia.

Neste ano duas coisas específicas serviram para me derrubar no Natal:
A tristeza pela morte recente da minha sogra e conseqüências emocionais disso que se estenderam por algum tempo – se é que ainda não se estende – estampado nos olhares fugidios na mesa, nos brindes, na troca de presentes.
E os fatos que antecederam o Natal, com a Elisinha torcendo o pé em Veneza, até mesmo por que uma mulher elegante como é a minha só poderia torcer o pé por aquelas bandas.
Acontece que ela que sempre se movimenta para fazer as compras dessa época, é ela que tem a imaginação fértil e o gosto apurado capaz de encontrar, com certeza, um presente que agradará nós todos.
Sua movimentação comprometida diminuiu bastante o charme da nossa comemoração.
Por outro lado, foi excelente para que percebesse que não lhe dava o valor devido.
Afinal, fui junto fazer todas as compras, do bacalhau às blusas.

Fui salvo do fracasso completo em dezembro por meus compadres e padrinhos e dinos e amigos com os quais comemorei de forma gostosa e divertida em vários encontros, pizzas, salgadinhos e piadas.

Por fim, como sempre começo a fazer minhas coisas para o Natal em setembro, acabei me atropelando nos acontecimentos e deixei de planejar nosso cartão, nosso calendário, e de mandar meus e-mails e cartas.
Pior, me senti constrangido e deixei de responder aos cartões de natal e bons desejos que meus amigos mandaram.

Estou aqui me desculpando com todos.

2012 está aí e novos propósitos em mente.

Entre eles tomar aquele nosso cappuccino. Aceita?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sul da França e Principado do Mônaco.

Seguindo nossa viagem fomos conhecer o Sul da França e Mônaco, o principado.



O dia começou claro, para nossa surpresa, pois havíamos chegado à França sob forte temporal.

A primeira curiosidade foram as estufas de cultivo de flores, com coberturas translúcidas e encravadas nos morros.

Menos de 30% da produção de flores ali produzidas vão para decoração – exceto, é claro, as que caem pelo caminho -


e o resto é disputado no famoso leilão do Mercado de Nice, por indústrias de perfumes.
Fiquei sabendo que são necessárias três toneladas de pétalas de rosas para se obter um quilo de extrato da flor.

Fábricas de essências, como a Fragonard, serão os primórdios daquilo que uma hora qualquer terá um rótulo de grife e um preço também.

Outro detalhe foi observar, do alto da rodovia, castelo encravados nos topos das montanhas,
de um lado inúmeras marinas e quebra mares


e do outro lado a beleza dos Alpes nevados,




além dos caminhos cavados, literalmente, pela mão humana.


Nice tem seu charme, notadamente para os europeus, mas nós brasileiros estranhamos a idolatrias das praias de cascalhos, sem a areia que estamos acostumados.


Essa região ganhou fama quando pessoas ricas que fugiam de guerras se instalaram por ali, convivendo com as indústrias, notadamente a naval. Isto criou um grande conflito arquitetônico e social na cidade, como seus jardins tropicais.


Cannes, como era de se imaginar, foi o local que mais mexeu com as cabeças do grupo.
Tudo lá é relativo ao Cinema, como os orelhões, por exemplo.


Atentem ao chamado:

"Madames e Monsiers, bienvenu."
Em Cannes todos somos artistas por um instante ao colocarmos nossos pés nas passarelas famosas.

Somos!





















Ou não somos?



O charme esta no ar.
Afinal, aonde pessoas famosas podem andar tranquilamente, como se fossem anônimos, senão em Cannes.


A preservação dos prédios baixos nessa região foi um dos maiores bens que Nice e Cannes conquistaram.
A preservação em bom estado da Fortaleza da cidade, que guarda a marina congestionada também.

Duas coisas nos chamaram a atenção:
A casa de moradores anãos - a esquerda, abaixo -
E a presença em diversas cidades de pequenos carrosséis nas praças. Estavam fechados, como presente embrulhados e guardados para o verão. Pobres crianças em seus outonos e invernos.








Adeus Nice, adeus Cannes, adeus vinhedos, Adeus Carlton Hotel;






Bem-vindo Principado do Mônaco.

Tinha uma grande curiosidade para ver, in loco, o Principado e ter a noção do seu tamanho, além, e claro, de passear pelo circuito do meu grande ídolo. Estive lá, naquela curva onde ele bateu e foi a pé para casa.



O Principado mostrou sua face antiga, com a construção do Instituto Oceanográfico no máximo dos seus domínios, antes que a tecnologia permitisse avançar seus prédios sobre o mar.
O país é todo um charme:


O castelo onde vive o Príncipe, a Casa da Princesa Caroline, ou



o Le Pinocchio onde tomamos nosso cappuccino com a Mira e Carlos, nossos companheiros na foto da Porta do Cassino mais famoso do mundo.



Em frente ao Cassino está o Hotel Paris, de diárias na faixa mínima de 800 euros, em baixa temporada, aonde – como diz a lenda - pobres chegam de Rolls Royce e ricos de Bentley.
Foi ali em frente que tomei meu segundo cappuccino do dia, no Café Paris, é claro.
Para mim um instante mágico que concretizava um sonho que tive quando assisti Gran Prix quarenta e tantos anos atrás.
No rosto da minha querida e dos meus amigos de viagem um semblante feliz, cada um com sua realização.

Agora, tem um grande mico que pode acontecer com qualquer pessoa no Mônaco:



Não achar as chaves do carro!





Só mesmo tomando mais um cappuccino...