segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Talentos como, por exemplo, Caio Souza

Sou louco por esportes e sempre lamentei comigo mesmo não poder correr como um louco vida afora; minha asma não me permitiu.
Entretanto, por favor, não entendam isso como uma queixa.
Talvez essa limitação tenha sido a responsável por querer tanto praticar esportes que não pude.

Dizem que quando uma pessoa não consegue jogar bola – ou futebol – ele tem dois destinos:
ou vai ser árbitro ou vai ser comentarista.
A primeira opção também me seria impossível e a segunda não aceito: é tremendamente chato assistir um jogo qualquer e ficar ouvindo comentários daquilo que meus olhos presenciam; se estou vendo o que sae passa, para quem alguém tem que me dizer o que vejo?
Silêncio, por favor! Deixe-me ver em paz sua Alteza Sereníssima Neymar I desfilar sua graça depois do Fico.

Neste final de semana assisti várias partidas de vôlei e me recordei quanto sofria quando via o Brasil feminino apanhar das peruanas – que entravam em campo com uma empáfia danada, coisa que nossas meninas não fazem – ou da Polônia, Estados Unidos e países do Leste Europeu no masculino.
Os nacionais já entravam derrotados.
E hoje?
Hoje quando acontece uma derrota é motivo de comemorações no país estrangeiro. Recentemente a Itália estampou manchetes por que seu time feminino venceu o Brasil no Brasil. Mais ou menos como faziam vários países quando derrotavam nosso futebol antigamente.

Surgem talentos na natação a ponto de vencerem no Pan Pacífico. Nem sabia que tínhamos fronteira com esse Oceano! Como isso aconteceu?
Fomos convidados.
Sim, fomos porque alguns poucos investiram nessa juventude enorme que existe no país, já que nosso (des)Governo não investe maciçamente no Esporte porque precisa forrar cuecas com dinheiro e manter uma filosofia política por 20, 30 anos no poder.

Assim, nossos talentos aparecem por investimentos esporádicos de companhias que vêem no Esporte um retorno publicitário razoável.
Ainda assim, algumas delas pecam ao quererem um retorno imediato:
Vejam o caso do Bradesco. Por anos patrocinou o time de vôlei de Osasco que, infelizmente amargou quatro vice-campeonatos seguidos na Super Liga Nacional.
Com a mentalidade de um banqueiro, o Banco resolveu abandonar o barco.
Mas a cidade conseguiu novo patrocínio e, aí sim, a equipe foi campeã, e a Nestlé mostrou sua marca Sollys para o mundo inteiro.

Nossa equipe de Ginástica Olímpica, ou Artística como se chama agora, já não entra em competições para ficar com os últimos resultadose vira e mexe belisca uma final ou medalha.
Tem seus talentos conhecidos no mundo todo e alguns batizaram movimentos.

Eu conheço pessoalmente um desses talentos, surgido com apoio da AABB São Paulo e investimento pingado pelo suor dos seus pais.
Parabéns Caio Souza, você ilustrou Calendário Desportivo Nacional deste ano.
Parabéns aos seus treinadores, colegas de ginástica e fisioterapeutas.
Espero que você continue a nos dar essas alegrias, e a seus pais, que fizeram por você o que o país deveria ter feito.













Um brinde à sua saúde!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Não existe meia-liberdade.

Todos sabem que sou o ouvinte número zero do programa Radar Paulista do meu amigo Renato Albuquerque.
Nestes tempos bicudos de proximidade de eleições, quando a mentira está no ar, tenho me amargurado com um comentário constante que, “em função da legislação eleitoral, o radialista não pode fazer comentários sobre o que dizem ou fazem os candidatos”.
A origem desse absurdo está na Legislação Eleitoral, fruto de uma Chavezlização, que diz que concessionárias do poder público, Rádio ou Televisão, só podem reportar o que é feito pelos candidatos, sem poder fazer comentários ou piadas sobre suas ações, discursos e, cá para nós, suas mentiras.
Ou seja, a verdade está engessada.
É por isso que surgem de forma execrável aqueles deputados que não sabem o que sendo votado na Câmara ou assinam petições para colocar aguardente na Cesta Básica “porque é assim que se faz na Casa”.
Como diria a Enfermeira da Jamaica: “se eles não querem ser ridicularizados, deixem de ser ridículos”.

Ontem, ao assistirmos, como de hábito, o CQC, ficamos muito indignados quando ouvimos alguns caciques, de vários partidos da política nacional, dizerem abertamente que eram contrários a lei. Então como a lei passou?
De indignado passei irritado quando ouvi o Deputado Cardoso tentar justificar a mordaça.
Ao final da reportagem, minha mulher sacou uma frase que acho que ilustra isso tudo:
“Censuráveis são as falcatruas que eles fazem”.

Eu já disse uma vez e repito: NÃO EXISTE MEIA LIBERDADE!
Se perdermos um mínimo pedaço de nossa liberdade, DEIXAMOS DE SER LIVRES.
Não quero a tutela do Estado ao meu poder de discernimento.

Acredito que a ABERT, Associação Brasileira de Rádio e Televisão, deveria entrar com uma “ação direta de inconstitucionalidade” contra esse ato abominável ou sugerir uma reação igual ou superior à censura: simplesmente deixar de noticiar qualquer coisa relativa às eleições e candidatos e aí veríamos esses palhaços se mexerem.

Vamos lutar por nossa liberdade de informação
e pelo direito de tomar nosso cappuccino em paz.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pequenos gostos

Fazemos muitas coisas inconscientemente e não damos conta de quantos são os prazeres que experimentamos ao longo do dia, ou mesmo ao longo da vida.
São coisas como chegar à casa da mãe e procurar algo gostoso - uma goiabinha - no armário, ou uma sobra de pudim de leite condensado geladeira.
Algumas coisas só mãe consegue fazer.



Ou sogra. Ninguém consegue fazer uma aletria como minha sogra.

Tenho seguido algumas rotinas que sempre me alegram e procurado refletir a cada instante o retorno que obtenho.
Escrever estas linhas, por exemplo, me dão alegria por inúmeros motivos, inclusive o de você estar lendo. Já disse que sem você elas não teriam sentido.

Esperar a caipirinha feita caprichosamente pelo Armando é uma expectativa contemplada com uma alegria. Tomá-la em goles suaves e conversar olhos nos olhos.

Olhar para as casas do João-de-barro próximas às piscinas da AABB, para observar se os pássaros estão de volta e me lembrar do incrível conto premiado do meu amigo Ari Madoenho é outra alegria constante.

Em seguida, caminhar ao lado do Jardim Japonês e seus sons e silêncios, criar o momento correto para conversar sobre uma ou outra aflição, coisa que tem sobrado nestes tempos bicudos de doença em família.


Notar as alterações das floradas, um brinquedo perdido no alto das árvores, nunca é tempo perdido, assim como finalizar o passeio com um pastel e cappuccino na Cantina da Maria.



Sentir o friozinho que encana pela casa me lembra um bom livro da Aghata Christie e procurar um baile para dançar no sábado à noite sempre me traz a pergunta: "onde andarão a Kátia e o Rogério?".

Pequenos gostos, grandes alegrias.

Aceitam um cappuccino?

Crônica dedicada à minha amada sogra Marília, com meus desejos de pronta recuperação.










domingo, 25 de julho de 2010

Novamente a Ferrari escarra na nossa cara.

Quando se trata de esporte, nenhum atleta representa somente a si e sim representa também um país. É por isso que sempre ao lado do sobrenome, nome, vem a bandeira do país pelo qual aquela pessoa compete.

Foi assim que mergulhamos numa tristeza brava quando o Dunga disse que tinha um compromisso com um Grupo e não com o país e perdeu a Copa. Bem disse Junior, o Capacete, hoje comentarista da Globo, que o pequeno técnico havia cometido um crime de “Lesa Futebol” ao não levar os melhores jogadores do pais para representá-los.
Para mim foi também um crime de “Lesa Pátria”.

Talvez tenha sido essa situação que me provocou uma grande ânsia de vômito quando hoje assisti uma cena que não imaginava ver repetida jamais: A Ferrari dar uma ordem direta ao Massa para que o "carocolito chorão" o ultrapassasse.
Não vou entrar no mérito de se ele deveria obedecer ou não: a ordem não deveria existir pelo bem do esporte.

Sou dono de três carros da marca dona da Ferrari e já comentávamos em casa a necessidade de trocá-los.
Vou me lembrar muito desta manhã na hora da troca.

Acho que todos devíamos levar isso em conta também.

Como estou bravo com os italianos, aceitam um cafezinho bem brasileiro?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O dia que minha mãe escapou de ser presa...

O Governo Federal, se assim podemos chamar, está encaminhando ao Congresso, se assim podemos chamar também, uma lei que proíbe o castigo físico aos filhos e a crianças em geral.
Boa lei.
Existe uma corrente de pais que diz que uma palmadinha pode ser muito educativa, e eu mesmo já pensei dessa forma. Não é a forma correta e temos que evoluir e achar o equilíbrio entre “educação por exemplos” e “o fim do descontrole da capacidade de argumentar quando esta chega ao limite de nossa incompetência”.

É mesmo uma covardia vermos crianças que apanham ou são pura e simplesmente torturados por pais e mães e tios e avós ou tutores que vêem no sofrimento dos inocentes o alívio à suas angústias.

Vamos torcer para que essa lei vingue, pois, afinal, o Brasil é pródigo em leis e algumas pegam outras não pegam.
Lamentavelmente muitas crianças vão continuar sofrendo porque, se olharmos a olho nu, também é proibido matar, roubar, corromper, prevaricar.
Todavia a existência da Lei preverá a punição que hoje só é efetivada quando alguma crueldade acontece e a mídia toma conhecimento e fatura em cima.
Esse é o grande perigo:
De um lado vai parecer que a lei estará sendo aplicada e milhares de crianças vão estar a mercê da maldade praticada à surdina.
De outro poderemos ter pais sendo levados para a cadeia por dar um tapa na mão de uma criança que iria colocá-la inadvertidamente no fogo.

Como exemplo que só a existência de dispositivo legal não basta, temos uma lei feita sob encomenda para mulheres que apanhavam e apanham de forma contumaz de companheiros, se pobres, e de maridos, se ricos: a Lei Maria da Penha.
Pois bem, dia desses enquanto fazia compras no açougue, ouvi a notícia que uma dessas moças que foi assassinada recentemente e cuja morte trouxe comoção ao país todo, foi a uma Delegacia da Mulher pedir proteção contra o parceiro. A Delegada não acolheu a denúncia, pois achava “que aquela queixa iria banalizar a Lei Maria da Penha”.
Uma Delegada!
A seguir, no supermercado, ouvi uma argumentação sobre quanto seria mais fácil e barato aquele goleiro pagar uma pensão que cumprir uma pena por assassinato.
Ouvindo as opiniões e aguardando minha vez de passar as compras, lembrei de um fato que aconteceu comigo quando garoto:
Comecei a conviver com uns garotos vindos de outro estado e que eram bastante “levados”, como se dizia à época.
Fui com eles até a vendinha do turco onde, rápido e sutil, roubei um doce de leite, aqueles retangulares, durinhos, deliciosos, e o dono do mercado nem percebeu.
Mais estúpido que inocente, ao chegar em casa contei para minha mãe o que havia feito.
Tomei uma série de cascudos e em seguida minha mãe me pegou pela orelha e me levou, entre ralhadas e palavrões que só ela era capaz de dizer, e sob os olhares atônitos das vizinhas, por todos aqueles longos cento e vinte, cento e cinqüenta metros que separavam minha casa da venda.
Lá, cabeça baixa, consciente da minha burrice e vexado com o deslize, pedi desculpas e paguei o doce roubado.
Mais que corrigir minha falha, minha mãe sentiu a necessidade de mostrar para a rua toda que educava seus filhos.
Ser honesto em casa não era uma virtude; era uma necessidade.

Fui pego com um sorriso nos lábios pela Caixa enquanto imaginava o que aconteceria se aquele dia fosse hoje e minha mãe fosse flagrada por uma viatura; ela não sabe do que ela escapou...

Com esses ares de saudades e gratidão a esse amor incondicional, só me resta tomar um cappuccino.
Aceitam?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ecobobos

Tenho acompanhado com alguma indignação a discussão forjada pelas grandes redes de supermercados contra as sacolas plásticas que embalam as mercadorias que vendem e os ecobobos que tocam suas trombetas por sua extinção, sem perceber como estão sendo conduzidos pelo nariz nesta história.
A essência da questão é uma só: a sacola plástica é um custo direto para os supermercados.

Toda pessoa com algum discernimento sabe que o mal uso de bens deve ser combatido e pessoalmente acho necessário se procurar mesmo uma solução ao destino de TODAS as embalagens, não só essas.

Para sustentar sua tese e assustar otários, os supermercados fornecem números grandiosos: são mais de 12 bilhões de sacolas por ano que irão degradar o Meio Ambiente por mais trezentos a quinhentos anos.
Entretanto desconfio do alarde e não confio nesses dados porque quem os fornece são os maiores interessados no fim do fornecimento e olho diretamente para a solução por eles proposta para essa questão:
“a venda de sacolas retornáveis a preços acessíveis”.
Será que essas sacolas vai-e-vem nunca vão estragar?
Caso se estrague, ao serem jogadas no lixo degradarão mais rapidamente?

Faço outra pergunta: se a preocupação dos supermercados é ecológica e séria, por que não pedem a extinção daquele filme plástico que embala, por exemplo, carne, goiabadas, queijos branco e amarelo, pedaços de melancias? É um material absolutamente descartado pelos consumidores diretamente no lixo.
Ou a embalagem das salsichas, que é absolutamente inútil após seu uso original.
Mas como se trata de produtos agregados a um item de venda, esqueça-se a ecologia. Ou dane-se a ecologia, que é o que me parece o pensamento dos empresários da área.

Vamos olhar para a pérola poluidora dos rios e lixões do país:
As garrafas pet, aquelas plásticas que embalam refrigerantes, águas minerais, sucos. Sabe quantas são produzidas no mundo?
Tenho um número disponível, o que foi fabricado no Brasil em 2008: 469.700 toneladas.
Considerando que cada uma pesa perto de 25 gramas, teríamos uma produção de aproximadamente dezoito bilhões e oitocentos milhões dessas embalagens.
A mesma fonte indica a reciclagem delas no país no mesmo ano foi de sete bilhões e oitocentos milhões, o que faz sobrar na nossa Natureza algo em torno de ONZE bilhões dessas garrafas, espalhadas nos santuários ecológicos, praias, matas e por aí vai.
O que seria mais prejudicial: as sacolas ou as garrafas? Não degradam por igual? Não, a garrafa pet demora mais tempo.
A Prefeitura de Nova York obriga os vendedores a recomprar garrafa pet ou de vidro ou lata de alumínio por cinco centavos de dólar para cada.
Uma lei inteligente.
E lá os supermercados usam sacolas de papel, apontadas pelos ecobobos nacionais como uma das soluções.
Bom, nem todas as sacolas de papel são feitas de material reciclável e aí temos três crueldades:
Primeira: continua a existir a sacolinha, só que a um preço mais atraente para o dono do supermercado;
Segunda: alguma área produtiva para alimentos será destinada ao plantio de árvores para produção desse material;
Terceira: assim como a petroleira, a indústria do papel também contribui muito para a degradação ambiental, principalmente a aérea. Como muitas dessas fábricas têm dificuldades para operar em países como Estados Unidos, Canadá e da Europa, elas se instalam em países “emergentes”, ou subdesenvolvidos mesmo, que normalmente flexibilizam muito as regras anti-poluição em nome da salvação de empregos.
Diga-se de passagem, nos Estados Unidos não se recicla nem um terço das embalagens de papel ou papelão.
Para onde vai esse lixo? Prefiro não comentar.
É certo que a degradação do papel é mais rápida, mas aterro sanitário é aterro sanitário e não existe solução a curto prazo para esses terrenos em lugar algum no mundo, exceto no Brasil, onde se constroem casas populares.

Embora a sacola de papel ou papelão seja um bem renovável e o petróleo finito, que tal se aproveitássemos uma parte daqueles onze bilhões de garrafas pet para fazermos sacolinhas?

Assim, como cobertor de pobre – que ou cobre os pés ou cobre o pescoço – as alternativas para embalagens de produtos e as embalagens de seu transporte praticamente desembocam numa só solução: a reciclagem.
Desculpe, haveria uma outra solução, o chamado consumo consciente, mas, como diria a Enfermeira da Jamaica, “confiar na consciência coletiva nem em conto de fadas”.

Ao invés de se fazerem leis para proibir essas sacolas, deveriam ser feitas leis que obrigassem os prefeitos, sob pena de prisão, a mandarem coletar os recicláveis. E que fossem impostas tremendas multas aos munícipes que não cumprissem a seleção do lixo, como acontece, por exemplo, em Los Angeles, na Califórnia.

Para finalizar duas pequenas histórias que ilustram bem a visão popular sobre o assunto:
Uma diarista que trabalhava em casa há muitos anos atrás, certa feita brigou comigo porque eu pedia para colocar essas sacolinhas nos cestos dos banheiros de casa:
“Onde já se viu alguém que trabalha no Banco do Brasil ser assim pão-duro e não comprar sacos de lixo que são tão baratinhos?”

Outra história foi quando conversei com o pessoal da Prefeitura que recolhe os recicláveis às quintas-feiras na porta de casa:
- Tenho que separar esse material em sacos diferentes? - perguntei.
- Não, pode SEPARAR TUDO JUNTO que a gente leva.

Creio que essas Organizações, ao propor uma campanha, deveriam refletir um pouco mais e explorar todas as variáveis antes de se alinhar a empresários que são, no final das contas, simplesmente gananciosos.

Aceitam um cappuccino?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O racismo em pequenas atitudes

Embora eu sempre tente tapar o sol com a peneira e seja capaz de jurar que o racismo no Brasil é coisa de poucos, ainda fico muito indignado com pequenas atitudes que são tomadas, por exemplo, em órgãos da Imprensa, normalmente na forma descompromissada de dar notícias.

É o que acontece ao se abrir a pagina inicial da UOL e começar a desfiar as notícias de esporte.
Estamos na Copa e dentre as notícias se acha um tópico “Musas do Mundial”: são setenta e nove fotos disponíveis, algumas de sério mau gosto, com a chancela de foto feita para homem.
Mas como não quero analisar a qualidade das fotos, vamos ao meu tema:
Oito dessas fotos têm mulheres orientais estampadas; são sete de rostos diversos e um enorme par de seios com a bandeira do Japão pintada num deles.
Duas, apenas duas, mostram negras e ainda assim, mulatas. Negra mesmo, de tez retinta, nenhuma.
As demais sessenta e nove fotos refletem alemãs, argentinas, holandesas, dinamarquesas, brasileiras brancas,ou seja, aparecem pelo menos quarenta e uma loirinhas e praticamente o mesmo número de morenas.

Há algum tempo atrás um historiador norte-americano, John Hope Philliphs, protestou contra o que ele chamou de racismo absurdo das grandes redes televisivas que, em seus programas tipo Datena, sempre colocavam as imagens de criminosos negros, nunca brancos.
Michael Moore, um branco diretor de cinema, muito consciente, começou a colocar em seus programas esse tipo de discriminação e a mostrar que, por exemplo, os grandes “criminosos em série” eram esmagadoramente brancos. E também os criminosos do meio financeiro, essencialmente brancos.
Paulatinamente as TVs mudaram de atitude, ainda que não muito.
Assim como nas grandes séries com muitos mocinhos tem sempre um negro e um asiático entre a turma do segundo escalão, eles atenuaram um pouco a discriminação na geração desse tipo de programação.

No Brasil se toma mais cuidado com o racismo direto, que pode dar cadeia, embora ainda reste aquele racismo de pequenas conversas.
Entretanto já vou avisando: veja meu histórico familiar e saiba que tenho uma sócia judia; portanto, não conte piada racista ao meu lado porque eu vou chiar.

Ainda é tempo da UOL alterar essa monstruosidade e mostrar as imagens das belas negras que existem na África do Sul, seja na torcida, seja nas ruas.

Enquanto isso, vamos clarear nossa cabeça e nossas atitudes, e vamos tomar nosso cappuccino.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A favor do Dunga, contra a Globo.

Vou transcrever abaixo uma mensagem enviada ao meu amigo Renato Albuquerque, repercutindo uma notícia dada por ele em seu Jornal Radar Paulista.
Ele contou que a Globo fez um editorial no Fantástico condenando o Dunga ter chamado seu reporter de Cagão, mas não comentou que havia tentado com o Ricardo Teixeira passar sobre a determinação do treinador da seleção de que as entrevistas só seriam dadas à toda imprensa nas coletivas.
Segue o texto:

"Olá Renato!

É sobre o programa de ontem, terça-feira.

Embora ache que boa educação está acima de tudo quando pessoas ocupam um cargo público como treinador da seleção brasileira, por exemplo, quero me colocar ao lado do Dunga nessa questão com a Rede Globo.

Essa emissora sempre age de forma inescrupulosa em vários megaeventos como se fosse a dona do espetáculo, como ocorreu na Copa de 2006 e nas três últimas Olimpíadas, triturando a cabeça dos jogadores e atletas que tem chances de medalhas.
Aí dá no que deu e o Diego Hipólito caiu no seu exercício, a Daiane caiu no dela e por aí vai. O pessoal chega com os nervos em frangalhos com tanta badalação que se transforma em um enorme peso de responsabilidade.
Ou acontece a gandaia que foi a Copa de 2006.

Dunga tem um método de trabalho tacanho, mas é o método que vai ter que funcionar até o final da Copa e, a julgar pelo nível das outras seleções, o Brasil tem muitas chances de ganhar mais uma.

O que a Globo não disse, e isso me deixou fulo de raiva, foi que o Dunga frustrou as entrevistas EXCLUSIVAS dela.
Ela escondeu essa imoralidade, esse passa-moleque nos outros profissionais.
É dever do jornalista ter um exclusiva?
Claro que é, mas pelo trabalho e não pelos conluios espúrios, como esse que foi feito com o Ricardo Teixeira, passando sobre o Dunga Profissional.


Tenho um episódio sobre a Rede Globo que me parece ilustrar bem isso:
Com muito esforço consegui cumprir uma promessa e levar minhas filhas ao Arquipélago de Fernando de Noronha.
Lá, orientados pelos biólogos do Projeto TAMAR, fomos ver o nascimento de uma tartaruguinha e seu trajeto direto para o mar.
Todo mundo foi instruído a não perturbar o bichinho e não tirar fotos com flashes para evitar confundir o animal no seu caminho natural.
As crianças locais se sentaram na praia fazendo um corredor, assim como nós turistas. Elas de um lado, nós do outro.
Eis que, na hora que a tartaruga começou a correr rumo ao mar, o camaraman da Globo saiu correndo atrás da bichinha com sua câmera a menos de 10 centímetros da coitadinha, impedindo as pessoas de acompanhar o fenomeno e registrá-lo também. Todo mundo protestou e eu entrei na frente dele e o impedi de continuar aquela canalhice.
Brigamos e eu só não apanhei do resto da equipe porque todo mundo ficou do meu lado contra o pessoal da Globo.

Sabe o que disse a reporter Beatriz Castro?
“Que eles estavam fazendo uma matéria que iria para milhões de lares enquanto nós só queríamos tirar uma foto para colocar na parede de casa”.

Ela não ficou nem um pouco preocupada com a educação das crianças, ilhéus que estavam sendo educadas a respeitar aquele instante, coisa que o funcionário da Globo achou que não precisava fazer.

Ela não se importou com o dinheiro, muito dinheiro, gasto pelos turistas para visitarem um arquipélago numa viagem que é um sonho para milhões de brasileiros também e aquele instante era mágico para todas aquelas pessoas.

E o equipamento que o rapaz portava tinha um zoom muito potente e foi completamente desnecessário ele atrapalhar a alegria de todas as outras pessoas; bastava ele correr um botão e ele faria a mesmíssima imagem que ele fez sem estorvar as fotos e filmes dos turistas.

Em suma, faltou respeito àquelas pessoas como está faltando respeito ao trabalho do técnico da Seleção Brasileira que, diga-se de passagem, vem sendo fritado pelo Maior Pé Frio da Televisão Brasileira a cada locução dele.

Parabéns por se colocar ao lado da atitude do Dunga.

Um abraço
Onça"

Aceitam um cappuccino?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Solstício de Inverno

O Inverno começou hoje às 09 horas e 29 minutos e, apesar de não gostar de frio, tenho carinho por essa estação que brindou à Elisa e eu com uma de nossas flores mais preciosas.
Não me importa saber que o sol esteja muito longe porque, a partir das nove e meia, ele voltou a se aproximar de nós.
Se você tiver a curiosidade de entrar no anuário do Observatório Nacional para ver dados como calendário de feriados, horários das trocas de Luas, vai reparar que na data de hoje consta Solstício de Verão às 12 horas e 29 minutos. Lá consta a observação de que tal informação acompanha os horários do Hemisfério Norte.
Talvez haja uma razão técnica para isso, mas a raiz da questão é cultural.
Meu saudoso e amado tio Tarcísio Leite escreveu um livro chamada “Brasil 500 anos porquê”, onde contestou de forma veemente que o início de nossa existência estava condicionada ao dia 22 de abril de 1500.
Tinha razão; afinal de contas, dizer que o Brasil atual se consistiu de uma nação a partir do descobrimento pelos portugueses, além de negar a existência de nações indígenas - que apesar de dizimadas em grande parte, ainda conseguem manter suas raízes - nega também todas as fases da construção da unidade do país.
Da mesma forma agiram os espanhóis com o resto da América, quanta cultura e conhecimento não foram queimados e destroçados pelas armas e deixaram como herança pobres nacões fragmentadas pela geografia e pela caudilhismo importado da Europa.
Mas os europeus se sentem tão superiores ao resto da humanidade que, para eles, a América, Antártida e a Oceania só existem, de fato, após a descoberta por ibéricos e ingleses.

Talvez seja meio ininteligível um prefácio dessa natureza para tratar do assunto que vou tratar, mas aguarde.

Encerraram-se hoje metade dos 64 jogos das Finais da Copa do Mundo.
Boa parte da imprensa brasileira e a especializada em esportes tratavam, antes da competição, de dois tipos de seleções:
Os candidatos ao título e as coadjuvantes.
Na primeira lista estavam colocadas “a poderosa Espanha”, campeã européia, a Holanda que goleou no seu último amistoso, o timaço da Inglaterra, a França vice-campeã mundial, as sempre candidatas Itália e Alemanha, e por aí foram os comentários e alertas ao Brasil e Argentina, esquadras que compõe o quadro de favoritas.
Como diria o filósofo Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, só faltou combinar com os adversários.

Encerradas duas rodadas iniciais, as cinco equipes sul-americanas e o México lideram seus grupos, enquanto entre as européias somente a Holanda não decepcionou.
Quanto à África anfitriã, provavelmente nenhum dos seus times passará sequer para a segunda fase.

É muito curioso vermos as escalações européias e lá encontrarmos, por exemplo, cinco estrangeiros adotando a nacionalidade alemã e compondo o ataque dessa seleção.
A França que possui um quinto da população racista e seus treze jogadores negros e três estrangeiros.
A Suíça também adotou cinco estrangeiros, a maioria para jogar do meio campo para frente.
A Itália que tem um argentino no seu quadro foi confiante na sua defesa e precisou de um pênalti, no mínimo discutível, para empatar com a Nova Zelândia!

Então eu me pergunto: porque uma vitória sobre as Ilhas Faroe ou Monaco ou Hungria valem cem por cento dos pontos no ranking da Fifa, e uma vitória contra o Brasil, Chile ou Equador vale cinco por cento a menos.

Vamos esperar o final da Copa e ver se eles abaixam um pouco a crista, principalmente se a Final for entre o Brasil e o México ou aquele outro país...

Aceitam um cappuccino?


dedicada ao meu querido sobrinho Francisco, para que se recupere bem, e ao Luiz Antonio D'Elboux Couto, aniversariante que se preocupa em unir pessoas.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um simples gesto com muito significado

Infelizmente vou contar o milagre sem contar o santo. Promessa é promessa. Não posso dar o nome da pessoa em questão.
Hoje, passado o jogo surpresa onde a Sérvia provou que não existe bicho papão no futebol, sai no meu portão, como de hábito, para ver as coisas como andavam.
Como com o passar do tempo aprendi a ouvir mais que falar - o que no meu caso beira outro milagre - passei um bom tempo ouvindo um amigo aqui do bairro comentando sobre a vida.
Lamentamos a perda do Saramago, as opções eleitorais, as perdas de nossas árvores e, para minha surpresa ele, de repente, abriu a caixa de ferramentas do seu coração e começou a expor as feridas do seu relacionamento familiar.
Chorou a distância dos filhos e seus problemas financeiros, a pouca saúde dos sogros que provoca grande desgaste para sua mulher e tristeza para ele e, depois de muitas lamúrias chegou a um escorregão íntimo: confessou que não ouve sua mulher dizer “eu te amo” espontaneamente desde o dia dos namorados do ano passado.
“Sei que ela gosta de mim e digo “eu te amo” com freqüência porque eu sinto isso; hoje, de todas as coisas só quero ouvir essa frase saindo de sua boca”.

Apesar de ter acordado paciente, tenho o péssimo hábito de assistir todos os jogos das Finais da Copa e, assim assim, me despedi do meu amigo após um abraço e um agradecimento por ouvi-lo e entrei.
Ainda ouvi seu pedido de manter nossa conversa em segredo.

Pensei um bocado na sua tristeza e seu desejo e, por via das dúvidas, vou sair falando “eu te amo” para todos que eu efetivamente amo, principalmente os mais próximos como meus familiares e amigos. Essa frase não pode ficar esquecida ou ser dita somente durante as safadas regalias.

AMO VOCÊS!

Aceitam um cappuccino?


Dedicada a José Saramago pela imensa alegria que deu ao mundo com sua escrita e por levar e elevar a Língua Portuguesa a todos os cantos do mundo.