segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estão voltando as flores.

Adoro a chegada da primavera.

Com essas alterações doidas que o clima de São Paulo vai sofrendo então, as coisas estão ainda mais malucas e as flores começam a brotar antes e depois da estação programada.

Com a primavera vêm os pássaros e seus trinados e as manhãs regadas com a lembrança da marcha-rancho (você sabe que ritmo musical é esse?) de Paulo Soledade, com o mesmo título desta crônica e cujos primeiros versos são um primor:

“Vê, estão voltando as flores,
Vê, nessa manhã tão linda,
Vê, como é bonita a vida,
Vê, há esperança ainda”.

Sim, é quase um hino à esperança, virtude cada vez mais magoada e machucada com notícias que vêm de Brasília.

É voltar nossos sentidos para a alma, regenerar nossa luta e seguir em frente como faz a Natureza, que apesar de vilipendiada, desprezada, cuspida e escarrada, se recompõe com as cores vibrantes do amarelo do camarão...











a exuberância da flor do Jambeiro,











a timidez da flor da cerejeira,











o perfume adocicado da flora de laranjeira



ou do manacá-mimoso que tanto encantava papai.




Aceitam um copo de água pura?

Dedicada aos meus amigos que distribuem Água boa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pela Alegria

Muitas vezes vivemos próximos à felicidade e não nos apercebemos disso.
Quantas pessoas trabalham conosco, convivem conosco e, por qualquer motivo, não nos aprofundamos na troca de informações pessoais, seja por pudor, seja pela correria, seja pela discrição.

Dia desses convivíamos a alegre companhia de nossa amiga Lucila quando ela comentou que Silvio, seu marido, por uma necessidade especial de sua filha, havia pesquisado e feito com látex, estudo e suor, um nariz de palhaço que ficou tão bom que vários amigos da menina lhe pediram para fazer outro igual.

Foi assim, simples assim, e de repente ele começou a fazer mais um, outro, um pedido daqui, outro pedido dali e a coisa tomando vulto.

Hoje ele se transformou num grande produtor desse acessório, com uma gama de ofertas e uma incrível qualidade que são usados até mesmo por artistas do Cirque du Soleil, a expressão máxima circense de nossos tempos, e pelos Doutores da Alegria, o máximo do voluntariado feliz.
Encantamo-nos com as narrativas das barreiras que estão vencidas pelo casal, do trabalho cansativo e partilhado e felizes ao notar a alegria de nossa amiga narrando a ajuda ao seu marido na missão de distribuir um princípio da alegria, algo marcante na vida das crianças como as que fomos.
Certamente nos lembramos ter se aproximado um dia de alguém com uma bola vermelha no centro do rosto e maquiagem de traços exagerados e da alegria desse instante.

Coisa fantástica isso que esse casal faz: negociar com a alegria, propiciar elementos para a alegria.

Minha homenagem ao casal.












Lucila e Silvio durante o lançamento do meu livro

A arte da família no rosto da bela Priscila.

Outra alegria pessoal me foi dada por meu amigo Hamilton ao me contar reações de algumas pessoas próximas dele que elogiaram livros que ele me ajudou publicar.
Estou com o ego lá em cima...
Já fechava esta crônica quando toca o celular e minha cara Ana Paula me dá uma fantástica notícia:
Essa alegria, porém, vou precisar esperar um pouco para dividir com vocês.

Aceitam um espumante?

domingo, 16 de agosto de 2009

Para alegrar Dona Hélia.

Dia desses fraquejei no meu Quarup.
Não sei e acho que nunca tenha sabido tratar com a perda de meus pais, mas sempre pensei que me restariam duas alternativas:
1) - Chorar pelos cantos, bater com a cabeça na parede e mendigar atenções, coisa que não me parece sensata;
2) - Ou fazer meu Quarup e, caso isso fosse insufuciente, chorar quieto, sentar, pensar e chorar de novo e, - talvez pelo trauma que me colocaram os psiquiatras e psicólogos com quem me tratei ao diagnosticarem sempre situações como essas como “falta de atenção” - fazer isso tudo longe de todo mundo.
Como dizia, essa tentativa de me manter sóbrio desabou dia desses quando peguei umas coisas da minha mãe que, por qualquer motivo, se transformaram em minha herança.
Desembrulhava algumas taças e as coloquei para lavar e, quando dei por mim, chorava sem controle.
Tenho que ser honesto em dizer que doeu muito aquela saudade e a vontade de olhar nos olhos claros da minha mãe e dizer-lhe que a amava.
Santo tempo, calmante exato para algumas aflições.

Minha mãe era uma educadora, professora de muitas pessoas que literalmente aprenderam a escrever com ela: foram mais de 25 anos de primeiro ano primário.
Imagino que hoje, domingo, 16 de agosto de 2009, ela esteja bastante feliz.
Isto porque a Vera e a Tatiana lançaram um livro de história infantil, Dolores Dolorida.
Texto de uma menina que adora contar história, ilustrações lindas e bem feitas de outra com muito talento.

Tatiana e Vera são casadas com netos da Dona Hélia, cujo marido foi autor de livro contanto a saga de sua família, um filho que já escreveu sete e outro neto escritor, o Rafael, que já tem mais de um livro pronto.

Parabéns meninas.
Que venham muitos outros livros, muitas outras histórias a serem contadas e ilustradas.







Vera e Tatiana

Por falar em família, eis Isadora, junto com a irmãzinha Cecília, a mãe Mariana e a prima Fernanda.

Aceitam um cappuccino?

domingo, 2 de agosto de 2009

A nova geração...


Minha família tem algumas divisões claras quando se trata de nascimentos: meus três irmãos mais velhos têm diferenças de menos de dois anos entre suas chegadas.
Depois deles fui eu, mas como sou um pouco mais preguiçoso foram necessários três anos para que eu viesse ao mundo. Eles costumam dizer que foram problemas com o acabamento; minha mulher fala que estavam aperfeiçoando a mercadoria. Enfim, nasci e minha irmãzinha caçula veio dois anos, como programado.

Quando a casa quase se acostumava com a falta de choros, chegaram os agregados, que nasceram com intervalos de seis, sete e sete anos.
Quando nossa querida Priscila – que eu chamo de minha irmãzinha e ela me chama de Tio – nasceu, meu mano mais velho e a Anete já tinham o Fabiano e a Mariana nasceu no mês seguinte, e o ciclo se encerrou com a vinda do Luciano pouco mais de um ano depois.
Foram as crianças de geração dos anos 70.

A nova década ainda começava e nasceu minha preciosa Januária, abrindo caminho para a nova temporada de netos da Dona Hélia e Seu José.
Seguiram o Rodrigo, Alexandre, minha também preciosa Fernanda, Diogo e fechando mais uma temporada de crianças meu afilhado Rafael.

Pararam os choros e começaram as paqueras; rapazes fazendo barba, meninas maquiagem.
Naturalmente se iniciaram os casamentos, já nos anos 90.

Os filhos dessa geração chegaram presumivelmente:
De Luciano e a Vera nasceu o alegre Raul.
Mariana e Eliel tiveram a doce e linda Cecília, o esperto Francisco e aguardam a força da lua nesta semana para nascer a mais bela garotinha do ano.

Dia 25 passado foi dia de chorar de emoção:
Ele já formavam um belo casal e numa bela e singela celebração casaram-se Rodrigo e Isabel;
Nossos augúrios a todos.
















Aceitam um champagne?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Liberdade, ainda que tarde da noite.

Estávamos ouvindo, Elisinha e eu, o programa Radar Paulista do meu amigo Renato Albuquerque, quando ele anuncia a notícia:
“Várias cidades do interior de São Paulo impõem toque de recolher aos jovens”!
Sei que é dever do jornalista comentar estas coisas, mas vou pedir que ele prepare o terreno quando for noticiar coisas desse tipo ou dia desses vou acabar batendo o carro.

Absurdo dos absurdos em um país dito democrático:
Um cidadão com poder de assinar um papel e nenhum bom senso, ao invés de regulamentar o dia a dia das pessoas, nega-se ao seu dever e, por conforto do cargo, simplesmente rompe com uma cláusula pétrea da Constituição Brasileira: a Liberdade.

Ao invés de cuidar dos jovens, esses senhores os castigam indiscriminadamente e, pior, lhes passam a mensagem que TODOS são irresponsáveis e insuficientemente sãos e maduros para julgar seu destino.

Os jovens que cada vez mais são condenados a quatro paredes e um computador, mantidos escondidos do mundo com o qual terão de lidar um dia.

Confesso que quando minhas meninas saem de casa para encontrar com amigas, nossos velhos corações de origem portuguesa e italiana batem apressadamente até a hora que ouvimos o motor do carro ser desligado e os passos alegres da nossa cachorrinha salpicarem na companhia delas até a cozinha.
Não ligo para as batidas de portas e saltos de sapatos.
Enquanto isso passo mal sim, mas, problema meu.

Jamais admitiríamos que uma restrição dessa natureza lhes fosse imposta: iríamos à Justiça para lhes conseguir um verdadeiro "habeas corpus". Esses caras não sabem como minha mulher é quando brava!

Não posso impedir que sigam seus caminhos e saibam que o mundo é, desde tempos imemoriais, um campo onde o mais forte sobrevive: antigamente o mais forte fisicamente; hoje, os que mais formação têm, formação negada e negligenciada aos jovens pela ausência contumaz do Estado.

Se isso persistir, em breve será decretada a prisão de todos os passarinhos em viveiros para que não sujem nossas estátuas ou manchem os jardins.
O mesmo vai valer para nossos cães que igualmente sujam as calçadas. É muito mais fácil decretar uma bobagem dessas que multar os cretinos que deixam as sujeiras dos seus animais nos caminhos de cegos, de idosos, crianças, enfim, nossos caminhos, até mesmo o deles.
Será proibida a reunião de pessoas para um chopinho porque as nossas autoridades são incapazes de evitar que alguns urinem nas ruas.

Desculpem se, de repente, usarem esta crítica como uma sugestão e dêem uma canetada e transformem essas bobagens em Decretos.

Proponho aos jornalistas que dêem a notícia, por dever, mas NÃO ENTREVISTEM ESSES JUÍZES E CONSELHEIROS TUTELARES, NÃO MOSTREM SEUS ROSTOS E SUAS VOZES EM JORNAIS, RÁDIOS E TEVÊS. Vamos reduzí-los à sua insignificância, de pessoas nomeadas para um cargo ao qual não estão aptas a preencher.

Teve razão o Renato quando disse que o "toque de recolher" deveria ser aplicado aos donos de casas noturnas que permitem a bebida alcoólica aos menores de 18 anos, aos exploram o sexo juvenil, aos traficantes.
Essa inversão de valores me lembra o Pastor alemão Martino Neimöller, autor do fabuloso poema abaixo:
Quando os nazistas levaram os comunistas, eu fiquei quieto; eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu permaneci quieto: eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei: eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus, eu me mantive calado: eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não sobrou ninguém que protestasse por mim.
Aceitam uma caninha após a meia-noite?

As coisas divertidas da nossa gente.

Pois é, fiquei devendo coisas boas do nosso povo e hoje resolvi botar alguma coisa no papel depois de um comentário da Elisa quando avisei que tinham chegado mensagens novas do Cavallaro e do Geraldino: - Dos dois, já vi que lá vem coisa...
Isto é o óbvio: somos alegres e brincalhões.

Olhem nas ruas, olhem nas conduções, principalmente fora dos grandes centros; nossos rostos são tranqüilos, miscigenados e bonitos.
Apesar das mazelas políticas e das balas perdidas, peça informação a um carioca, mesmo aquele mais apressado: ele pára, pensa e “lhe” responde com aquele sotaque específico e, se for uma garota, tenta entabular um chopinho. Se por acaso for uma carioca, em breve tempo você não só terá sua informação como vai saber a história da vida da família dela.
Ande pela praia e olhe para alguém que caminhe do lado contrário e você verá que logo vem de lá um “bom dia”.
É absolutamente incrível quando vemos repórteres entrevistando pessoas que estão sofrendo na seca, com fome e maltrapilho e, no final, o entrevistado dá uma risada, às vezes nervosa, às vezes sem jeito. Seja pela timidez, seja pelo constrangimento, lembro de reportagens parecidas em outros cantos do mundo em circunstâncias análogas e só se vê carrancas.
Nosso povo, mesmo sem formação escolar, tem uma facilidade surpreendente em aprender tarefas e logo vai chamando os amigos para um churrasco e comemora seu primeiro salário como se levantasse a Taça do Mundo.
E é feliz porque somos os melhores no futebol, mesmo sem ganhar as Copas que merecíamos.
Meu amigo Gilberto Bruce rezava durante as partidas do Mundial de 1974 pedindo a Deus que nos favorecesse por imaginar que nenhum povo no mundo adorava mais futebol que o brasileiro. E ria ao final de cada pedido.
Sempre fui muito bem recebido em países no exterior, principalmente após a menção de ser brasileiro.
Somos associados a coisas alegres como futebol e carnaval, esquecendo por hoje as más associações porque isso é um problema de falta de informação deles.
Paramos guerras civis para que o povo visse o Pelé e a Seleção Brasileira ou ouvisse nosso jogo durante a guerra de Sarajevo.

Somos intimistas.
Em pouco tempo, muito pouco mesmo, qualquer um já se torna amigo de infância, já é chamado de você, chamado pelo primeiro nome ou – nem tudo é perfeito - por um apelido.

Nós rimos dos nossos eleitos, que eram nossas esperanças e nos decepcionam, nós rimos dos nossos ídolos e até dos nossos mortos, ainda que eu jamais tenha contado uma piada em velório.

Emprestando o slogan da APABB, o normal por aqui é ser feliz.

Bom fim de semana.

Alguém vai fazer um churrasco?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Nossos heróis pouco conhecidos

Hoje 14 de julho é o dia que se comemora um feito histórico no Brasil:
Por pouco mais de um palmo o paranaense Mauro Ribeiro venceu a nona etapa do Tour de France de 1991 entre as cidades de Alençon e Rennes.
O ciclismo é uma mania na Europa e na América do Norte e os ciclistas são tratados - não no aspecto financeiro, é claro - como são os pilotos de Fórmula Um ou astros do golfe ou tenis:
Seus retratos são colocados em destaque nas lojas de artigos esportivos, ainda que não especificamente ligadas ao ciclismo: eles vendem sapatilhas, maiôs, camisetas e tudo que diz respeito ao esporte.
Nos Estados Unidos está sendo feito um filme sobre a vida de Lance Armstrong.
Durante o mês de julho milhares de pessoas se postam nas ruas, nas estradas, no topo dos castelos e casas para ver, por poucos segundos, passar a caravana com 180 ciclistas e carros de apoio que forma imagens maravilhosas.
O Giro de Itália e Vuelta de Espanha, o primeiro antes e o segundo depois da Volta da França, também são muito concorridos, com a presença do povo se divertindo com o esporte.
Pena que não tenhamos um avanço nesta área e, na America do Sul e Latina vemos nossos hermanos nos darem bailes constantes nessas provas.
Ainda bem que vencemos a última 9 de Julho com o Bruno Fernando e a Débora Cristina.
Fica aqui minha sutil homenagem ao Mauro com a foto da sua chegada vitoriosa.












www.ss.esp.br/cgi-bin/imprensa/ribeiro(5).jpg

Também gostaria de fazer minha homenagem à pesquisadora Dra. Rosana Beatriz Silveira, que coordena o Projeto Hippocampus, quem sabe o centro mais avançado no mundo inteiro de estudos sobre o cavalo marinho.
No dia que visitamos o Projeto a Doutora estava lá sozinha, fazendo vezes de recepcionista, projetista de vídeo, vendedora e orientadora.
A vida de pesquisadores no Brasil é uma luta incrível e essa mulher deve ser homenageada.
Espero que o novo local onde se estabeleceram já esteja arrumadinho.
fica na Rua Saberé com a Praça Sete, no bairro de Ipojuca, em Porto de Galinhas.
Vale a pena ser visitado.

Parabéns Dra Rosana.











Dra. Rosana e Elisa


Aceitam um brinde aos nossos heróis?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Brasileiro é um gozador; isto é bom, isto é mau...


Lembro de uma conversa do meu compadre Roberto sobre uma palestra dada aos gerentes do Banco do Brasil no exterior: “O brasileiro tem mania de contar uma piadinha para descontrair o ambiente e os empresários estrangeiros acham isso um horror”.
Realmente existem algumas coisas que são efetivamente horrorosas em alguns dos nossos hábitos; a falta de simancol é uma delas.
O primeiro péssimo hábito em minha opinião é aquele de dar apelidos às pessoas que mal conhecem. Essa mania tem coisas de extremo mau gosto como, por exemplo, o pessoal de Mairinque, onde morei, chamar um rapaz acometido de poliomielite de “Pé de Anjo”.
Outra ocasião bastante comum desses ataques acontece em viagens; não sei se porque o pessoal julga a convivência no passeio algo muito efêmero, um engraçadinho - o “mala” do grupo – está sempre pronto a colocar apelidos: é Bolinha para os obesos, Vovô para gente que tem os cabelos da cor do meu – isto, todavia, ainda não aconteceu comigo - Elebê para a loira do grupo, e por aí segue. E na maioria das vezes esses chatos se apegam a defeitos físicos para azucrinar os próximos. Tinha um desses numa viagem que fiz para Caravelas. Encheu todo mundo até que perdi a paciência e o chamei de “Mãozinha”, numa referência a problemas que ele tinha nos dedos. Não me senti bem, mas pelo menos ele não fez mais passeios conosco.

Outra forma popular de se divertir está ligada a duas deficiências básicas do Brasil:
A cultura elitizada de poucos e a falta de cultura do populacho.
Quando aprendi minhas primeiras palavras em Inglês, comentei com meu pai que seria divertido disparar algumas frases no novo idioma perto de caipiras, para confundi-los.
“ - Não é vantagem nenhuma falar inglês com quem sequer sabe falar português” respondeu papai. Foi tão imediata, mas tão imediata a resposta, que refleti sobre aquilo e mudei meus conceitos logo aos treze anos.

Não existe vantagem sobre outras pessoas em se adquirir conhecimento e sim em compartilhá-lo, essa é a questão.

Agora, a bola da vez é debochar do Joel Santana por suas tentativas de se explicar em inglês em um país onde essa é uma das Línguas Oficiais. Vale lembrar que o mundo todo, menos a França, também fez do inglês sua língua corrente.
Minhas perguntas são:
Será que essas pessoas que riem do técnico têm um inglês assim bom, a ponto de se julgarem superiores?
Será que eles se expressam sem aquele friozinho na barriga?
Joel Santana falando inglês é uma piada?
Vae lembrar que Joel foi treinador em países árabes e no Japão por vários anos e lá certamente não teve necessidade de aprender qualquer um desses idiomas. Começou, mesmo, a aprender inglês há onze, doze meses, aos 59 anos de idade, num país onde o sotaque é acentuadíssimo, muito diferente do que nossos ouvidos estão acostumados e até mais próximo daquilo que ouvimos na entrevista dele.
E as pessoas esquecem que Joel Santana foi o único treinador a ser campeão carioca pelos quatro times chamados grandes, se ainda podemos chamar o Vasco de grande e achar que vencer o campeonato carioca seja algo tão esplêndido assim. Entretanto, aconteceu com ele.

Fica ainda outra questão:
Vocês já ouviram o Rafael Nadal ou o Sérgio Garcia falando inglês? Ou o Tiger Woods falar outra coisa que não sua língua nativa? Por que será que ninguém debocha deles?
Quem entendia o que falava o Tevez?

Tenho só mais uma pergunta:
Por que as audiências brasileiras vibram tanto - sem deboche - quando um desses artistas internacionais vem fazer suas turnês por aqui e conseguem mal e mal dizer: “Obrigada”? Serão eles deuses encarnados?

Ser gaiato também tem seu lado bom, mas isso vai ser contado em outra crônica.

May I offer you a cup of tea?

Oferecido à memória de Neda Soltani e àqueles que lutam e lutaram por Liberdade.
Também ofereço à minha querida Cecília por seu aniversário dia 23.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Maravilhas da vida moderna

Antes de mais nada devo confessar que adoro compartilhar mensagens que trazem decalcomanias e propagandas como, por exemplo, Drops Dulcora, DKW ou Biotônico Fontoura. São muito alegres e com elas reavivamos nossas lembranças.
Dia desses, porém, recebi uma mensagem mais que saudosista, onde o autor declarava que os velhos tempos é que eram bons e lançava alguns desafios aos jovens, julgando-os incapazes de viver a felicidade tal qual os antigos faziam.
Não gosto nada dessas coisas, pois os jovens, que já tem um monte de problemas com falta de emprego, violência, afetivos, ainda ficam com um magoado lhes buzinando uma mensagem subliminar que diz, literalmente, que são incapazes e infelizes.

Pois bem, eu vou recordar algumas coisas que eu vivi.
Pasmem, mas me recordo plenamente da minha casa e do sítio do Tio Rocha iluminados em diversas ocasiões com lampiões de querosene e lamparinas a óleo que enchiam a casa com uma negra fuligem. Ao acordar, tínhamos uma sujeira negra nas narinas e brincávamos que eram bigodes.

Andei e tomei chuva num bonde que era aberto de um dos lados. Muita gente me garante que esse tipo de bonde não existia, que era aberto dos dois lados e que, na verdade, eu teria andado no bonde camarão, assim chamado porque era vermelho. Minha memória das coisas de infância é extremamente mais solida que minha memória de hoje em dia. Lembro da chuva que caía na antiga e hoje inexistente Praça Clóvis Bevilácqua.
Querem saber, prefiro o metrô, sequinho.
Recordo ainda uma visita que fiz à minha avó, em Candido Mota, quando tinha cinco anos. Para tomar banho foi necessário aquecer a água numa caneca no fogão à lenha, colocá-la no balde com uma pequena corrente que abria e fechava a torneira colocada na parte de baixo e desembocava em um chuveirinho.
Este ritual acontecia porque a grande facilidade da casa estava com problemas. A água descia por gravidade da caixa principal, passava num cano por trás do fogão e, aquecida, subia até a uma pequena caixa d’água com ligações para o balde/chuveiro e uma torneira que havia na cozinha e era usada para ajudar a desengordurar a louça.
No segundo dia da viagem minhas aventuras ao banho terminaram em parte, já que meu pai desentupiu o encanamento e não necessitava mais aquecer a água na caneca.

Querem saber, prefiro os chuveiros de hoje em dia, muito mais práticos e nos proporcionam banhos longos quando a cabeça necessita se recuperar de alguma tristeza.

Era morador do subúrbio do Chora Menino e nossa rua não era pavimentada. A cada chuva - e chovia quase todo dia - necessitava levar os sapatos limpos em um saco plástico – que não era fácil conseguir – para trocá-los quando chegávamos aos paralelepípedos da Alameda e os sapatos cheios de barro, precariamente limpos, eram guardados na sacola até a volta. As pessoas pediam o dono do bar na ponta da rua para lá deixarem os sapatos até a volta dos compromissos. Lá ficavam, às dúzias, sem cobrança, sem queixas; era gentileza mesmo.

Querem saber, não tenho saudades dos bons tempos enlameados da minha rua.

Também o Correio não chegava até nossa casa e nossas cartas eram mandadas para a casa de uma tia que vivia perto do quartel do CPOR. Era essa tia que também recepcionava as mensagens urgentes porque não tínhamos telefones na nossa rua. Quando os correios e as linhas telefônicas chegaram à nossa casa, foi uma festa. A Caixa de Correspondência passou a ser um item de destaque nobremente alojada ao lado dos portões.
Já o aparelho telefônico foi colocado em um ponto nobre, central, acessível e visível a todos, nativos e visitas. Facilitava o acesso, mas era péssimo para se namorar.

Querem saber, também não tenho saudades dos bons tempos em que não podia dizer coisas maliciosas para minhas amigas e obscenas para meus inimigos.

Uma modernidade, entretanto, resolvi aposentar por plena incompatibilidade: meu corretor automático de texto. Fica me enchendo a paciência com coisas do tipo:
“Uma modernidade, entretanto, resolveu aposentar” ou “Umas modernidades, entretanto, resolveram aposentar”;
E também:
“e-mail é neologismo inadequado. Altere a expressão para mensagem ou texto”;

Ou ainda
“esta frase contem 55 palavras. Deveria conter 50.”;
Pergunto quem definiu que uma frase deve conter menos de 51 palavras? Bill Gates?

Propõe correções absurdas ou deixa de fazê-las, como a que aconteceu na minha última crônica, alterada graças à ajuda providencial dos meus amigos Rufino e Lauro, além de outros comentários posteriores: Num determinado parágrafo ao invés de “referirem” apareceu “refirão”. Se fosse “refiram” seria um erro de concordância meu; mas não.
Confesso minha falha ao transferir o texto do Word para o Blog sem corrigi-lo detidamente.
E Rufino, assumo que também errei na grafia da palavra discriminar.

Querem saber, acho que vou ficar sem essa modernidade.
Ah! Que saudade dos bons tempos da correção com o lápis vermelho.



Aceitam uma Cuba Libre?

Dedicada aos amigos Rufino e Lauro, e também ao Maurinho, por seus 20 anos.

fotos da Cambacica, afinal

Hoje resolvi fazer um plantão com a máqina pronta ao lado da árvore onde ela vem tomar seu néctar.

Só não me perguntem se é o macho o a fêmea.