domingo, 3 de maio de 2009

Comportamento de manada

Ando muito abismado com o que é feito com a Humanidade nos dias de hoje.
É certo que não sei como era, veridicamente, em tempos idos. Sei o que contaram os historiadores dos vencedores.
Todavia, hoje em dia as coisas são rápidas o suficiente para sufocar a capacidade de pensamento sóbrio e lógico das pessoas, transformando-as em uma massa com raciocínio inferior a um bando de gnus fugindo de leões; os primeiros fogem de imaginários; os segundos, de leões reais.
Gnus correm de forma aleatória para despistar seus predadores.
Os humanos fogem de forma irracional, enchendo os bolsos de espertinhos ou os egos de oportunistas.
Rio e fico imaginando a satisfação desses espíritos de porco que vivem querendo apavorar pessoas.
Ou a alegria dos chefes de pauta que tem assunto para preencher jornais, radiojornais ou telejornais.
Eles nos passam a impressão que há um vírus do lado de fora da porta de casa aguardando nossa saída para infectar-nos de forma definitiva.
Minha felicidade está nos grotões de sanidade, alguns dos quais eu convivo. Recebi um e-mail muito lúcido do meu amigo Adelmo que desmistificou, com sabedoria, essa crise.
Há muitos anos atrás eu usei uma máscara que efetivamente filtrava o ar para evitar crises asmáticas e as pessoas me perguntavam se era por causa do Michael Jackson que eu estava usando a proteção. Sempre soube que essa máscara que todo mundo está usando só serve para evitar que o doente contagie o sadio, e não o inverso. Mas teve gente que acabou com o estoque das máscaras em farmácia, por conta do egoísmo e falsa proteção.
Vocês se recordam da crise da febre amarela no interior do país? E daquelas pessoas que tomaram a vacina duas, três vezes, sem pensar nos vizinhos para quem sua dose dupla ou tripla poderia fazer falta. Quando um desses ignorantes morreu, muitos ficaram apavorados ao ver que seu umbigo estava ameaçado por sua falta de solidariedade.
Vocês recordam quando os jovens não podiam mais andar de tênis novos ou de cabelos compridos?
Faz tempo que isso aconteceu?
E esta última crise financeira mundial? Foi a coisa mais louca que eu já presenciei na minha vida toda.
Empobreceu muita gente, mas será que empobreceu todo mundo?
Pois é, daí começam a surgir “As teorias da Conspiração” por que o campo, definitivamente, é farto.

Finalizo contando um caso para vocês e vou deixar por sua conta imaginar a cena por completo.
Minha mulher chegou com o nariz tapado, febre e dores no corpo inteiro a um Pronto Socorro, no sábado passado. Era uma crise de sinusite.
Imaginem o que aconteceu quando olharam para o agasalho dela e leram: HARD ROCK CAFÉ, "CANCUN"

Aceitam um lingüiça?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O próximo clássico

Sem dúvida a escalação de um juiz em baixa, tecnicamente falando, é um prato cheio para quem imagina os desdobramentos.
Senão vejamos:

1 - Vai acontecer uma falta grave e o juiz dará um cartão amarelo se o jogador for do Corinthians (exceto se for o Ronaldo); vermelho se for do Santos;
2 - Os bandeirinhas vão dar impedimentos existentes e inexistentes do Kléber Pereira:
3 - O bandeirinha não vai dar um impedimento que resultará no gol do título do Corinthians;
4 - Caso não aconteça o gol acima citado, não se preocupe: um pênalti “daqueles” resolverá o assunto;
5 - Algumas faltas a favor do Santos serão ignoradas no começo do jogo para irritar os jogadores santistas;
6 - Pênaltis a favor do Santos só serão marcados caso o Corinthians já tenha marcado um ou dois gols e o Santos nenhum:
7 - Em hipótese alguma será colocado em risco o título invicto corintiano;
Isso tudo irá empanar o brilho de uma campanha ímpar do time da Marginal sem número.
Outras coisas irritantes:
a) Assistir o jogo pela Globo e aguentar qualquer um dos seus narradores fazendo lobby para o Ronaldo volta à Seleção. Pobre Dunga;
b) Aguentar todos os comentaristas nos programas esportivos noite afora fazendo lobby para o Ronaldo volta à Seleção. Pobre Dunga II;
c) Assistir o Globo Esporte com aquele carinha sem sal, na segunda-feira, fazendo lobby para o Ronaldo volta à Seleção. Pobre Dunga III;
d) Ser debochado por sampaulinos ou palmeirenses cujos times ficaram pelo caminho.
Em suma, no domingo assistirei a um torneio de golfe...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ridículos esses Deputados.


Uma das coisas que eu tento não me descuidar é da minha memória e tal qual Federico Fellini, eu me recordo.
Essas cotas para gastar com passagens aéreas, por exemplo, eu me lembro bem.
No princípio era o verbo, ou melhor, a verba destinada à compra de quatro passagens por mês para seu Estado de origem, a fim de que o deputado pudesse retornar às bases que o elegeram e ficar próximos aos seus eleitores e suas necessidades.
Nunca ninguém acreditou nisso, mas...
Também lhes eram destinadas quatro passagens para a cidade do Rio de Janeiro, pois alguns órgãos públicos ainda tinham sede na Cidade Maravilhosa.
Essas passagens permaneceram disponíveis mesmo após todos os órgãos irem para Brasília.
Um amigo carioca costumava qualificar essas passagens como “Vale-Antonio’s” ou “Vale-Macarronada”.
De repente - essas coisas só acontecem assim - as quatro passagens, tanto para um lugar quanto outro, passaram a ser de ida e volta, ou seja, oito para o Estado e oito para o Rio. Havia uma exceção: os deputados do Rio de Janeiro, por razões óbvias.
Um pequeno detalhe que deve ter enriquecido muito a Agência de Viagem vencedora da concorrência para vender as passagens de Suas Excelências: as passagens eram compradas pelos valores cheios, sem descontos, sem promoções. Isso chegou a gerar muita reclamação com os deputados que eram atolados nos puídos aviões da VASP que pagavam comissão de 13%, contra 9 e depois 6% das demais.
Dizem que por causa do muxoxo dos deputados fluminenses levou à alteração dos critérios: foram criadas as cotas. Os deputados passaram a pagar, silenciosamente, as passagens dos assessores que, nós sabemos, eles tem às pencas.
Em função dessas alterações, os aviões lotavam de e para Brasília nas Sextas e Domingos.
Reclamando do excesso de passageiros, pois além dos seus inúmeros assecl..., digo, assessores, ainda tinham que dividir assentos com o povo, alguns passaram a viajar para suas bases as Quintas à noite e voltar a Capital Federal na Segunda de manhã.
Para encurtarmos essa conversa, as sessões na Câmara e no Senado só são para valer a partir da tarde da Terça até Quinta ao final da tarde, isto por que quinta-feira era o dia da semana que se espalhavam os boatos e muitos desses senhores tinha chance de aparecer na TV.

Muito bem.
Hoje ouvi nos telejornais um desses senhores dizer que estavam querendo separá-lo da família e que só os solteiros seriam candidatos.
Outro desses senhores falou que forneceu passagens “a correligionários que estavam precisando, sim” e que não havia nada de errado com isso.
Pois bem, ou nós somos muito imbecis ao engolir uma história dessas, ou esses senhores estão agindo como imbecis.
Nós não demos cotas para deputados irem à Disneylândia, Europa ou Buenos Aires. Aliás, nós não demos nada, eles se deram!
Quatro a cada cinco brasileiros nascem e morrem no mesmo município. Nos estados desses deputados muitos nascem e morrem sem sequer serem registrados.
Essas pessoas, em algum tempo, não teriam necessidade de viajar para cuidar de sua saúde, por exemplo? Quem quebra o braço com fratura exposta no sertão da Bahia vem de ambulância até o Hospital das Clínicas em São Paulo.
Qual a diferença dessas pessoas comparadas aos correligionários do deputado?
Eu posso apontar duas:
Primeira: a honestidade da maioria;
Segunda: a falta de oportunidade desses brasileiros que já perderam o caráter de tanto ver esses políticos pulhas e aproveitadores se darem bem.
E senhor deputado pela Paraíba saiba que o senhor não é um Coronel que pode enfiar sua verdade garganta abaixo do resto da nação. O senhor deve realmente sair às ruas e visitar CEAGESP, em São Paulo, ou nos canaviais ao longo da Rodovia Anhanguera e ver milhares de pessoas que passam meses longe da família para conseguirem uns caraminguás que vai sustentar suas famílias pouco acima da linha da miséria, quando conseguem.
Se não quiser vir a São Paulo vá até o Pará, lugar na America do Sul onde mais trabalham pessoas em condições de escravidão.
Se o senhor faz questão da sua mulher junto com o senhor, faça como muitos colegas meus faziam e como eu mesmo fiz: ao me mudar de cidade para trabalhar, levei minha mulher junto. Sem precisar de passagens pagas com dinheiro público para conviver com minha amada. Não me separei nem de minha cachorra.
O senhor iria economizar dinheiro público não precisando viajar as Quintas e voltar as Terças, trabalhando sério mesmo só as Quartas, embora eu nem acredite nessa seriedade.
Não coloco todos os políticos no mesmo saco, mas sem dúvida coloco a maioria num saco só e não gosto do cheiro que vem de lá.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tia Mimi


Vou traçar algumas poucas linhas, o quanto minha emoção permitir, sobre uma pessoa que marcou muito minha vida e a quem devo muita gratidão:
Minha tia Mimi.
Ela, irmã caçula do meu sogro, foi mais um presente que obtive com o casamento com a Elisa.
Além do grande apoio que nos deu ao ceder a casa onde vivemos quando casamos, sempre nos trouxe muita alegria no convívio.
Era conhecida na ocasião do meu casamento por um termo da época, locomotiva, dado a pessoas que impulsionavam a vida social.
Sua casa sempre foi o refúgio do almoço aos domingos que, nas épocas áureas da disposição física e mental, contava com os saborosos e saudosos pastéis da Tia Corina, hoje com 101 anos.
Acredito que o que deixamos nesta vida na memória dos convivas são nossas atitudes.
Então, como esquecer as narrativas das companhias de viagem da Mimi que nos contaram que três anos atrás, numa viagem ao Maranhão, ela tirou alguns rapazes para dançar forró e não é necessário dizer quanto se encantaram com ela.
Sempre dançou o Vira, qualquer lugar que fosse que ouvisse o som que animou sua infância e juventude.
Criou sua família junto de si, bem casada que foi com um tio genial que muito me ajudou na formação de meu caráter; eu, moço, tive boas e instrutivas conversas com o Armando. Pena que o perdemos há tanto tempo para o vício de fumar que o levou desta muito cedo.
Ontem foi o dia de perdermos a Margarida, nome de batismo da Mimi.
Hoje vou recolher minhas alegrias para viver essa perda, uma das maiores que tive.
Vou vivenciar meu Quarup.
Amanhã renegarei essa tristeza para resgatar em minha memória a alegria que foi conhecer, ser vizinho, conviver e gostar imensamente desta pessoa fantástica.
Como creio na Eternidade, sei que um dia nos reencontraremos por lá.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vejam o que minha mulher comprou para decorar a Sala.

Nestes diversos anos de casado nunca tive conflitos com relação a compras de coisas para casa, seja para manutenção, tenha sido para decoração.
Sempre fomos muitos tranqüilos quanto a isso.
Como tenho um gosto meio estragado para algumas coisas, sempre deleguei a decoração à Elisa e depois que minhas filhas puderam opinar, a elas também.
Isso não tira a minha responsabilidade de adornar a casa vez por outra com alguma coisa horrorosa, mas não me preocupo por que o objeto da discórdia logo vai parar em alguma caixa depositada na edícula.

Não significa que não tenha meus pontos positivos como, por exemplo, minhas mulheres de terracota, personagens trazidas em diferentes viagens mundo afora.
São maravilhosas.

Todavia confesso que fiquei muito intrigado com essa última compra que a Elisinha fez. A ponto de colocar aqui no blog para o julgamento de vocês.

Sinceramente respondam: ela não exagerou desta vez?


























Alguém me empresta um cartão de crédito?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Lendas e mitos na internet



Sinceramente estou estupefato com o nível de lendas e mitos que recebo via internet.
A coisa anda tão disseminada que, adivinhem, já surgiram vários sítios de desmentidos e contra provas que desmontam, uma a uma, as lendas que correm por aí.
Eu mesmo me incluo entre aqueles que repassaram mensagens inverídicas.
No meu caso falhei ao repassar para alguns amigos fotos que seriam da casa do Edir Macedo e não eram.
Não importa a brincadeira que fiz.
ERREI MESMO.
As fotos já haviam sido atribuídas à residência de um ditador africano e outras pessoas desafetas.
Fiquei chateado comigo mesmo, por que normalmente investigo tudo.
A recente ameaça do Power Point, por exemplo, é notícia de boa fonte. Veja abaixo, com fonte alterada por mim para harmonia do texto:

April 03, 2009
Hackers seize on zero-day flaw in Microsoft's PowerPoint
Independent security company Secunia has rated the PowerPoint vulnerability 'extremely critical,' its highest-risk ranking

By Jeremy Kirk IDG News Service
Microsoft warned Thursday that hackers are actively exploiting a software vulnerability in PowerPoint, the company's presentation application.
There's no patch yet for the bug, which could allow an attacker to completely control a computer. It affects Office 2000 Service Pack 3, Office XP SP3, Office 2003 SP3, and Office 2004 for Mac, Microsoft said in
an advisory. Office 2007 is unaffected.

Outro e-mail que recebi, sobre a Coca Zero, dava conta de um componente de um refrigerante que está proibido nos Estados Unidos, mas é permitido no Brasil.
Fui ao sitio do fabricante e não me convenci com as explicações ali publicadas. Todavia, não me convenci com o texto do e-mail também.
Meu conforto pessoal é saber que não bebo esse refrigerante. Aliás, nem mesmo meu Guaraná tenho tomado.

Também passei a apagar, sistematicamente e por prazo indeterminado, todos os e-mails recebidos de quem me passa e pede para passar correntes. Não importa a qualidade do pedido. Estão no Purgatório, digamos assim.

Não se preocupe você que passou informação útil, coisa do tipo como reconhecer um AVC e assuntos correlatos. Eu investiguei as mensagens e a procedência pareceu confiável a ponto de repassá-las.

Outras coisas que peço encarecidamente não me mandem são os seguintes e-mails:
a) Fim do 13º aprovado na Câmara;
Procurem se informar na Câmara ou no Senado que vocês descobrirão coisas bem piores que estão sendo feitas por lá. Se é para desopilar sua ira, Brasília tem inúmeras maneiras de irritá-lo e você pode passar adiante uma mensagem verdadeira.
b) Rede Globo usa o Dinheiro do Criança Esperança para abater no imposto de Renda;
Este é até mesmo uma crueldade. A própria Globo adverte: “O dinheiro é depositado diretamente na conta da UNICEF e não pode ser abatido no imposto de renda”.
Quem forjou esse e-mail não está prejudicando a Rede Globo. Prejudica crianças necessitadas.
c) Mapa do Brasil adulterado nos Estados Unidos;
Já escrevi sobre este assunto aqui no blog na postagem de 24 de fevereiro de 2008;
Procurem na internet – você já está plugado - a tal de Un introduction of Geography de David Norman e verão que esse livro não existe.
Quem me mandar esta mensagem, além de me dar a triste notícia que não está lendo meu blog, estará passando vergonha.

E como recebo muita coisa boa também, vejam as fotos de autor desconecido que me mandou meu amigo Arnaldo Jordão.
Caso você seja o autor destas fotos, publicarei seus créditos.







































Parabéns ao José Antonio por seu Aniversário.



Aceitam um cappuccino?


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Seja Bom


Dia desses estava vendo o final do filme E.T., enquanto zapeava a TV justamente na hora da cena que os garotos voam com suas bicicletas.
Delícia de filme.
Aí veio a frase famosa: “Seja boa!” dita pelo extraterrestre à garotinha vivida pela então pequena Drew Barrimore.
Pensei sobre o assunto.
Ser bom deve servir para alguma coisa, ainda que não imaginemos uma futura recompensa no reinos dos céus.
O mundo é atavicamente Yin e Yang e isso me remeteu à consideração:
O problema está na fila do outro lado.
Imensa, juram os entendidos.
Colossal, pensam os crédulos.
Realmente, se levarmos em conta apenas a fila dos ex-habitantes do Brasil, só os banqueiros, que intercalam seus lugares com os advogados, formarão um cordão sem fim, desenrolado escada a baixo.
Adicione-se ainda os jogadores de futebol que cobram e perdem pênaltis, aí a coisa vai ainda mais longe.
Parei de escrever para atender o telefone e minha mulher leu o que escrevia por sobre o meu ombro e não hesitou em perguntar: E os políticos?
Caramba, agora que a fila não vai mesmo terminar: são vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, governadores, presidentes, vices, assessores diretos que também são políticos enviesados, primeiros irmãos, cunhados, sogros, em suma, não tem fim.
Meu cunhado, ao saber o que eu escrevia também lançou seu palpite: os médicos, não esqueça dos médicos.
Contrapus minha opinião que a maioria esmagadora dos médicos que conheci era boa e estarão, certamente, na fila do outro lado...
a que sobe.
Quando criança me contavam que até as portas do inferno, os infelizes desafurtunados tem que atravessar o caminho descalços, no gelo e na neve, com dores incríveis mercê da falta de circulação.
Com essa fila que chegando à boca do metrô, acho melhor me comportar bem.
Mesmo com a desvantagem de enfrentar uma fila maior; afinal, a maioria dos meus amigos, você inclusive, são muito bons de alma e comportamento e comporão esse caminho.
A vantagem nessa fila por certo será a serenidade da travessia.
E a escada rolante nesse caso funciona.
Quer dizer, eu acho...
Preocupado com minhas considerações e suas conseqüências, por qualquer maldade que eu tenha feito, por favor, me desculpem, inclusive meus advogados.

Dedicada aos meus amigos Waldo, Gisele e Maurício Cantagallo, Ronidei e Ana Paula Botelho, Lauro Rodrigues Oliveira, João Bosco, Nelson Paffi, Ana Rosa Marafuz e Carlos Fernando Valle Lima Filho.
Aceitam um vinho tinto?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Sua Alteza Sereníssima Neymar.


Desde o surgimento do crioulo número um no futebol, o mundo se divide em duas partes:
Aqueles que acham que Pelé foi sem dúvida o maior jogador de todos os tempos
e os argentinos que morrem de inveja com isso.

Volta e meia se tenta criar um novo mito e as coisas invariavelmente seguem por um mesmo caminho, como se fosse um fogo de artifício: acende, sobe fazendo barulho, explode e, passada a alegria do momento, fica uma pequena nostalgia e vontade que aquilo tivesse durado um pouco mais.

Pelé se conserva fisicamente de forma quase doentia. Não deixa que seus sessenta e oito anos sejam notados no seu corpo. Pena que não tome o mesmo cuidado com o que fala e vive desmentindo o que disse sem pensar.

Vários outros jogadores surgido pós-Pelé como promessas de se tornarem reis, passado algum tempo se transformam em pálidas lembranças, abafadas por uma imagem decadente.
Pelo menos são essas as minhas lembranças, como por exemplo Cruyff, barrigudo, com um perene cigarro numa das mãos e os dedos da outra sempre limpando o nariz;
Ou então Rivaldo, cuja cabeça atrapalha mais seu futebol do que a bola.

Agora temos Sua Alteza Sereníssima Neymar I do Santos, em cima de quem andam fazendo uma badalação que faz sombra para o Fenômeno, este um caso raro que já explodiu mais que uma vez e sempre ajudou a derrotar sua imagem com uma bobagem atrás da outra.

Mas voltemos ao Neymar: só por que ele sabe conduzir, chutar com os dois pés, cabecear, se posicionar em campo, driblar dois adversários em meio metro quadrado, não maltratar a bola nem quando bate de bico e ganha mais que a maioria dos presidentes de multinacionais, todos já acham que o garoto é o máximo, novo substituto do Rei.
Calma, pessoal, Sua Alteza Sereníssima ainda está em formação, com apenas 17 anos mal feitos e com muita bagagem para adquirir.
Ele ainda sofrerá muito com pontapés desleais de zagueiros, posição reservada aos atacantes frustrados, que gostariam de ser como o garoto, mas Deus reservou esse talento para poucos.
E vamos torcer para que ele continue evoluindo e tire o nosso futebol dessa pasmaceira que já me deixa angustiado com dois dias de antecedência, imaginando o que o Brasil vai sofrer com “altitude” de Quito.
Quem sabe nas próximas Eliminatórias a “altitude” seja um problema resolvido por Sua Alteza Sereníssima.

Aceitam um cappuccino?

terça-feira, 10 de março de 2009

O silêncio da inocente.

Nasci na igreja católica, onde fui batizado e crismado.
Briguei bastante com meu irmão mais velho que, ex-seminarista, me chamava de carola quando meu grande amigo Julião e eu fomos pescados pela Opus Dei.
Aliás, ninguém escapa incólume à Opus Dei.
Daí que, ao desatar meus nós, fui procurar outros caminhos que me levassem ao Divino, até desaguar novamente no meu berço original.
No meu ponto de vista o Catolicismo é uma excelente doutrina que só tem um pecado:
Pequena parte dos seres humanos que a compõe, laicos ou eclesiásticos.
Quer saber: é o problema de todas as religiões.

Se por um lado vejo missionários e missionárias passando fome e risco de vida, como uma irmã que conheço que foi obrigada ficar com dois tiros no braço por mais de cinco dias e a viajar de Angola para o Brasil para aqui poder cuidar dos ferimentos, por outro me lembro da Casa do Bispo de Marília, que toma todo um quarteirão e que algum gaiato sempre picha: “opção preferencial pelos pobres”.
Mas essa conduta do Arcebispo de Olinda e Recife me deixou perplexo!
Excomungar as pessoas que cuidaram da vida daquela menina!
Segundo o religioso a lei de Deus se sobrepõe às leis dos homens – e ao bom senso.
Pergunta inocente:
Permitir a seqüência da gestação e provável morte dos fetos e da menina, não seria também incorrer no pecado de “Não matarás a pequena inocente”.
Essa garota, além de violentada, também deveria morrer?
Deus falou isso pessoalmente ao Arcebispo ou ele como homem assim está interpretando. Nesse caso, a lei que ele segue não seria uma lei humana?

Os Arcebispos da Igreja que são tão criticados por seu silêncio durante a Segunda Grande Guerra deveriam ter mais lucidez ao falar e condenar de forma unilateral, sem chance de defesa, aqueles que Deus permitiu que existissem para SALVAR vidas humanas.

Creio que o senhor Arcebispo estaria fazendo um maior bem aos habitantes de Olinda e Recife se destinasse boa parte das esmolas para combater o turismo sexual de menores de idade que grassa pela Praça da Preguiça e imediações, ou pelos calçadões da Boa Viagem.

Quem sabe assim teremos menos abortos e menos excomunhões no futuro.

E lembre-se senhor Arcebispo do maior dos ensinamentos de Jesus: Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores.

Rezam uma Ave-Maria?

sábado, 7 de março de 2009

O que é “time sharing”?

Você já ouviu falar ou sabe o que é “time sharing”?
Pois bem, tome cuidado.
Antes de qualquer coisa, vou dizer uma frase ouvida por mim de uma diretora de vendas desse tipo de produto em São Paulo:
“- NO BRASIL O TIME SHARING NÃO PEGOU”.
Vários clientes e amigos nossos, principalmente os que viajam com destino aos resorts norte-americanos, mormente para a área da Disney, ou ainda Cancun e Caribe, voltam bravos com o mundo e comigo por não alertá-los pelo tempo enorme que perdem ao cair na armadilha do “almoço ‘grátis’”, “café da manhã ‘grátis’”, “máquina fotográfica digital pereba ‘grátis’” ou ainda “ingressos ‘grátis’ para parques temáticos ou Disneyworld”.
Aqui no Brasil a moda é oferecer, “totalmente grátis”, um final de semana ou algumas diárias em um estabelecimento de rede credenciada, junto com um convite ao casal para assistir a uma palestra sobre o hotel.
Aí vem o massacre.
Perde-se no mínimo duas horas ouvindo todos os argumentos “positivos” dos produtos e suas negativas sequer são consideradas. São sempre pelo menos dois vendedores que não se constrangem em constranger o assustado casal. Quando parece que você convenceu um deles que não quer efetuar a compra, ele desaparece e vem o outro e recomeça a novela toda desde o princípio.
A proposta é realmente muito boa para quem vende:
a empresa consegue se capitalizar, constrói um hotel equipado e bonito e na hora de distribuir os lucros... bom, nessa hora os lucros ficam com eles mesmos.
Para desfrutar de uma semana por ano nesse hotel ou em qualquer outro da rede, o passageiro compra um título de mais ou menos R$22.000,00. Normalmente os hotéis citados nessa hora são os de cinco estrelas que muita gente gostaria de se hospedar. As fotos esbaldam piscinas e “gente bonita” de sunga e biquíni.
Fique bem atento: você não será dono de nada. Não se trata de um Apart Hotel, ainda que muito sorrateiramente lhe digam que a “escritura” será registrada em Cartório. Não se trata de escritura, mas de um contrato e ele será registrado para dificultar sua saída do plano.
Além disso, também existem as manutenções e a taxa de intercâmbio, ambas na faixa de R$400,00 a R$600,00 e, na maioria absoluta dos casos, a taxa do café da manhã, que nunca está incluído nas diárias, nem mesmo no Brasil onde isso é uma prática.
Alguns desses programas prevêem a sua parcela na troca do mobiliário. No caso da Disney esse valor era próximo dos US$3.000,00 a cada três anos.
As citações a esses valores são sempre feitas de passagem, diluídas na fórmula “você pode alugar para algum amigo ou parente e aí você recupera esse valor rapidinho”.
Pergunto, que amigo vai querer alugar o seu apartamento? Que parente? Certamente o seu cunhado, mas ele vai lhe pagar?
As facilidades do sistema normalmente cessam logo após as vendas.
Já na hora de fazer a reserva, as alternativas nem sempre correspondem às solicitações.
É o caso de um amigo que gostaria de desfrutar sua semana em LOS CABOS, no México, sem sucesso. Foi-lhe oferecido a mesma semana no Ceará ou na Jamaica. Só que ele continuava querendo passar sua semana no México. As desculpas foram várias, como a falta de antecedência na reserva em um hotel era muito procurado por gente do mundo todo(!). Só faltava o hotel não ser procurado.
Ele então solicitou sua reserva para o ano seguinte. A resposta foi rápida: “As reservas para o ano que vem ainda não foram abertas”. Ele se programou e voltou a ligar nos primeiros dias de todos os meses subseqüentes e qual não foi a surpresa ao ver que, num determinado mês, logo no primeiro dia, ouviu do atendente que “as reservas já haviam sido abertas e o hotel lotou rapidamente, sinto muito”.
Ele está no programa beirando quatro anos e ainda não foi a Los Cabos.
E o mais grave dos fatores: Muitas empresas, após um ou dois anos no mercado, simplesmente abrem falência. Aí quem comprou fica com um título – ou o mico – na mão.
E o interessante é ver os mesmos vendedores, fazendo a mesma coisa em uma empresa nova, alguns meses depois.

Vamos retornar aos custos da operação e ao por que desse tipo de venda não pegar no Brasil.
Primeiro fator:
- Nossas Operadoras Turísticas são ótimas e já se adaptaram ao poder aquisitivo do povo brasileiro. A maioria dos pacotes turísticos é financiada em até dez vezes. Você paga a passagem aérea ao preço de Operadora, os hotéis idem, os traslados e, na maioria das vezes, algum passeio e seguro de viagem, em prestações suaves. Fortaleza, em seu melhor hotel na alta temporada, para duas pessoas, com parte aérea de ida e volta, traslados de chegada e saída, hospedagem por 07 noites com café da manhã e taxa de serviços, passeio pela cidade e Praia de Cumbuco e bolsa de viagem custa R$3.500,00;
- Ou seja, R$800,00 de entrada e nove prestações de R$300,00
- Você consegue viajar para onde planejou, na maioria das vezes mesmo sem fazer uma reserva com grande antecedência;
- Quem vai lhe vender o produto tem a firme intenção de atendê-lo, pois além comissionado para isso, normalmente gosta do que faz e se diverte ao lhe atender.

Já no caso do Time Sharing:
a) Para adquirir o plano você se descapitaliza em R$20.000,00 que, minimamente, rendem R$200,00 por mês, ou seja, R$2.400,00 por ano que você deixa de ganhar.
b) Taxa de manutenção; Pode somar mais R$1.200,00.
c) Taxa do café da manhã, que varia de acordo com o hotel. Aquele da propaganda e gente de biquíni custa 25 dólares por dia. O que você provavelmente acabara reservando custará R$15,00. Sua semana para duas pessoas começa por R$210,00.
d) Um taxi bem negociado vai custar de oitenta a cem reais, para a ida e para a volta. O passeio pela cidade com o mesmo taxista outros R$100,00. Muitos taxistas são bacanas, mas não são guias. Some R$300,00.
e) Até aqui a viagem por pessoa já está em R$2.055,00.
f) Você vai ter que comprar a passagem aérea ao preço de consumidor, ou seja, no mínimo o dobro do valor pago por uma Operadora. Eu já demonstrei a vocês que ninguém faz milagre nessa área. Viajar para Recife em janeiro vai custar R$1.500,00 por pessoa. Se conseguir um Corujão, com duas escalas, a despesa cai para R$2.600,00 o casal;
g) Isto falando de uma viagem nacional. Para o exterior o prejuízo é calculado em dólares.
h) Você não vai ter traslado, nem seguro, nem assessoria ao chegar ao destino.
i) Dificilmente as pessoas que trabalham conseguem fazer mais de uma viagem por ano. Mesmo os aposentados. Então, fica difícil diluir os custos.

Quero ressaltar mais três detalhes:
Há três semanas estava sendo convidado para uma dessas sessões de vendas quando me perguntaram a minha profissão. Resposta: Agente de Viagem. Gentilmente a mocinha me disse: “Ah! Eu sinto muito, mas esse produto não está disponível para agentes de viagem. Muito obrigada e até logo”.

O segundo detalhe diz respeito à desistência do produto. O contrato de venda é feito de uma forma que é impossível rescindi-lo sem penalidades que resultarão em praticamente o pagamento total. Se a coisa é tão boa assim, a troco de que um contrato tão draconiano? Você gostaria de assinar um contrato que só pode ser desfeito com advogados e PROCON?

Tenho uma amiga que comprou esse produto há quatro anos e disse então que estava muito satisfeita. Mas não converso com ela há praticamente há três anos...

Fica a pergunta: Time Sharing para quê?
Um grande abraço do casal Mota Onça aos amigos Val e Eliseu por seus 22 anos de casamento.
Aceitam um prosseco?